Cruzeiro no Rio Douro

Na região do Douro as encostas feitas em socalcos sobranceiras ao rio, as vinhas predominam e lembram-nos aromas e sabores de uvas e de néctares que nos deliciam.

Estamos na época das vindimas, das uvas maduras, da palete de cores entre o amarelo-torrado, o laranja e castanho, as cores quentes que as videiras começam a vestir no final do mês de setembro. Na região do Douro as encostas feitas em socalcos sobranceiras ao rio, as vinhas predominam e lembram-nos aromas e sabores de uvas e de néctares que nos deliciam. Aqui, muitas das várias Quintas existentes, entre o mês de agosto e o início do mês de outubro, proporcionam programas de participação aos visitantes nas vindimas, colhendo os cachos maduros, pisando as uvas nos lagares ou ainda participando em provas de Vinhos do Porto.

Tanto a paisagem como a faina das vindimas e os vinhos resultantes, correntes ou os especiais constituem um valiosíssimo património no nosso país. O Alto Douro Vinhateiro constitui uma região classificada pela UNESCO como Património da Humanidade.

Neste artigo vamos falar de uma experiência que, recomendamos a todos que ainda não a fizeram, um cruzeiro no Rio Douro com visita a uma das Quintas para ouvir a explicação sobre a cultura das uvas, as suas características, como se obtêm os vários vinhos de mesa e o vinho generoso, seguida de uma prova de Vinhos do Porto. Existem vários tipos de embarcações, percursos e duração procure um dos vários operadores turísticos e escolha a viagem que mais lhe agradar.

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Depois de passar a noite num hotel, edifício de fachada belíssima e renovado no seu interior, sem luxos mas bastante agradável, próximo do cais de embarque, o cais da Estiva, logo bem cedo pelas 8:45h iniciámos a viagem em direção ao Pinhão.

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Após um pequeno-almoço servido a bordo subimos ao convés, dotado de cadeiras, de onde melhor se pode apreciar a paisagem natural, as aldeias e pequenas localidades, as pontes, etc. Durante o percurso é fornecida uma breve explicação sobre os principais pontos de interesse observados. O almoço foi servido a bordo antes da Chegada à Régua.

Passadas as 6 pontes do Porto, podemos observar a vegetação densa que cobre as encostas até próximo da zona da Régua a partir daí a paisagem muda e surgem as montanhas cobertas de vinhas viradas ao sol, dispostas em socalcos suportados por muros onde o xisto predomina.

Do Porto ao Pinhão, passámos pela subida de várias barragens através de um sistema de eclusas, a de Crestuma-Lever com um desnível 14 metros é a última barragem antes do rio Douro chegar à foz, a do Carrapatelo, construída em 1971 é das maiores do mundo com um desnível 35 metros e a de Bagaúste na Régua com um desnível de cerca de 29 metros.

As eclusas são obras de engenharia hidráulica que tornam os rios navegáveis em zonas de desníveis, funcionam como elevadores para as embarcações. Na subida do rio, o barco entra na eclusa pelo lado jusante e permanece na câmara, aguarda que outras embarcações também entrem e se posicionem no corredor da eclusa. A comporta a jusante é fechada e a câmara começa a ser enchida com água vindo da abertura lenta a montante, causando a elevação das embarcações até que se atinja o nível do reservatório superior. A partir desse momento, a comporta de montante é aberta e a embarcação sai da eclusa no nível superior do rio. O tempo para esta manobra depende do desnível que é necessário vencer.

O rio Douro é atravessado por várias obras de arte, pontes que mostram o engenho do homem para superar obstáculos ligando as margens dos rios ou atravessando vales profundos.

Na passagem por Entre os Rios, onde o rio Tâmega se encontra com o Douro, recordámos a tragédia vivida há alguns anos em consequência da queda da ponte existente.

Navegando num leito tranquilo já para o meio/fim de tarde, bem no centro da Região Demarcada do Douro, aproximámos-nos do Pinhão. É uma pequena vila, com origens no século XIX, onde a chegada do comboio em 1880 permitiu a construção de uma estação ferroviária revestida de belos painéis de azulejos e contribuiu para o desenvolvimento da região.

Aqui chegados, um autocarro levou-nos até uma das quintas da região a Quinta da Roêda para visita, explicação e prova de vinhos. Foi possível perceber a diferença das vinhas atuais dispostas geometricamente permitindo o uso de maquinaria para tratamento das videiras e dos solos, das vinhas seculares com disposição desordenada de onde provêm vinhos generosos de altíssima qualidade, perceber que os métodos tradicionais de pisar as uvas com os pés, não esmaga as grainhas das uvas e consequentemente não altera o sabor do vinho dado unicamente pelo sumo das uvas maduras.

 

Na quinta, depois da prova dos vinhos, aproveitámos para comprar algumas garrafas do  Vinho do Porto, em casa, já nos deliciámos com o “Croft Pink”!

Um experiência a não perder, na primavera, no outono quando as videiras se vestem da cor do fogo ou noutra altura do ano, não deixe de fazer esta viagem.

Outono em Festa – Serralves

Estamos no Outono e celebrando esta estação tão cheia de aromas, cores e produtos, Serralves brindou-nos com uma festa muito especial.

Na magnífica cidade do Porto, pode experienciar uma infinidade de acontecimentos que lhe vão deixar uma marca indelével. Estamos no Outono e celebrando esta estação tão cheia de aromas, cores e produtos, Serralves brindou-nos com uma festa muito própria para famílias e crianças.

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No belo Parque composto de vegetação arbórea variada e com algumas espécies raras e exóticas, de jardins e relvados bem como uma Quinta tradicional, as crianças puderam brincar, aprendendo de forma divertida e com muita animação sobre trabalhos, artes e ofícios, produtos agrícolas da época, animais da quinta de raças autóctones e também sobre tradições ancestrais, que fazem parte do nosso património histórico e cultural.

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Mas esta aprendizagem foi não só de observação, pois é  experimentando e brincando com os materiais em envolvência com a natureza que melhor se aprende, as crianças puderam participar em inúmeros workshops que decorreram num ambiente descontraído e animado, não só pelas vozes claras e felizes das crianças mas também pela música que acontecia em palcos próprios.

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Para relembrar a necessidade de sintonia com o ritmo natural dos produtos que a terra nos oferece de forma diferente em cada época específica do ano, num espaço próprio, os visitantes tiveram oportunidade de comprar variados produtos biológicos da época, à venda numa pequena feira. Não pudemos de deixar de comprar pão tradicional e algumas frutas e legumes tão apelativos pela cor e cheiro próprio dos produtos amadurecidos na própria planta, com os quais iremos preparar deliciosas e saudáveis refeições.

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Na manhã da visita a festa estava a ser animada com música instrumental tocada por um quarteto “Os Palankama”. O cavaquinho português fazia-se ouvir no seu som tão característico.

A 10ª edição desta festa, com entrada livre, aconteceu entre 29 e 30 de setembro. O dia estava quente, mas não demasiado e como tal, convidativo a um passeio por este Parque fazendo uma visita a esta animada festa sobre a qual deixamos aqui uma pequena reportagem fotográfica para que numa próxima oportunidade não deixe de visitar Serralves, os seus eventos culturais e esta festa de outono.

A Quinta tradicional, os animais e os frutos

Vamos Cozinhar! – Francesinhas

Uma receita de “Francesinhas” que nos foi dada por um portuense amante da boa cozinha da região.

Hoje, conforme prometido, partilhamos uma receita de “Francesinhas” que nos foi dada por um portuense amante da boa cozinha da região.

Para o Molho

  • 1 cebola e 2 dentes de alho
  • 1/2 chávena de Polpa de tomate
  • Picante – em pó ou liquido
  • 1 cálice whiskey
  • 1 cálice de cerveja
  • 1 cálice de vinho branco
  • 1 cálice de vinho do porto
  • 1 colher de sopa de molho inglês
  • Farinha maisena QB
  • Sal, uma folha de louro e ½ cubo de caldo de carne.

O molho leva, vinho branco, whisky, cerveja e vinho do Porto, mas o álcool evapora na confeção e o caldo fica com um sabor, rico e aveludado.

Para dar mais sabor à sopa, use as aparas dos bifes, que vai utilizar nas francesinhas. Comece por refogar em azeite a cebola picada e o alho. Quando alourar junte a folha de louro, o vinho branco e a cerveja. Deixe ferver um pouco e adicione a polpa de tomate, o 1/2 cubo de caldo de carne e um pouco de sal, se necessário junte um pouco de água. Deixe ferver bem e junte o Vinho do Porto, o whisky, o molho inglês e o picante  a gosto.

Ferver mais um pouco e quando estiver bem apurado, juntar a farinha diluída num pouco de caldo morno. Vá juntando à sopa mexendo sempre até ficar um creme aveludado.

Preparar a Francesinha

  • Pão de forma de padaria para se poder cortar as fatias em casa. Use um pão de boa qualidade
  • Bife da vazia fino
  • Salsicha fresca
  • Linguiça
  • Queijo
  • Fiambre
  • Rodelas de chouriço

Grelhar o Bife e colocar sobre uma fatia (fina) de pão de forma. Passar na chapa as outras carnes (abrir a salsicha fresca e a linguiça e passar dos dois lados), apenas para corar e colocar em cima do bife, o fiambre, as rodelas de chouriço a linguiça e a salsicha fresca.

Colocar uma fatia de pão de forma por cima, levar ao grelhador, com calor por cima e por baixo, até tostar o pão, sem deixar torrar completamente, para ganhar alguma dureza e não empapar quando colocar o molho na altura de servir. Colocar as fatias de queijo por cima do pão, uma em cada lateral e uma no centro. Deitar o molho, ainda quase a ferver, sobre a Francesinha de modo a que o queijo fique fundido.

Em muitos restaurantes, por cima da Francesinha é colocado um ovo estrelado e acompanha com batatas fritas.

Sirva à mesa e imagine-se a saborear esta iguaria tão típica, na bela cidade do Porto.

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O Porto, a história, as Francesinhas e não só …

“Lá na leal Cidade, donde teve Origem (como é fama) o nome eterno De Portugal, …” Os Lusíadas, Luís Vaz de Camões

Aqui e ali, percorremos locais que nos falam de nós, da nossa história, cultura e gastronomia.

O Porto, a Invicta cidade edificada em vertentes de acentuado declive sobre o rio Douro.  Estas características da topografia e da hidrografia, com o casario do seu centro histórico disposto ao longo de ruas estreitas e tortuosas que nos conduzem à zona da Ribeira, conferem-lhe um aspeto medieval, labiríntico e de uma beleza única. Do muito que pode experienciar e admirar no Porto deixamos aqui uma pequena reportagem.

Bem no coração da cidade, a estação ferroviária de São Bento, interface de caminhos de ferro da Linha do Minho, é um local incontornável. Aqui pode admirar os magníficos painéis de azulejos de temática histórica. Os azulejos são provenientes da Fábrica de Sacavém da autoria de Jorge Colaço que na época era o mais reconhecido azulejador em Portugal.

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No topo da topo da Rua dos Clérigos surge o ex-libris da cidade, o conjunto arquitetónico constituído pela Igreja, Torre dos Clérigos e a Casa da Irmandade.

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Continuando com a temática dos azulejos, não deixe de apreciar a Capela da Almas também conhecida por Capela de Santa Catarina, na freguesia de Santo Ildefonso. Tem a sua origem numa antiga capela feita em madeira e erguida em louvor de Santa Catarina. Em 1929, as paredes exteriores foram totalmente revestidas a azulejo, com cenas da vida de São Francisco de Assis e de Santa Catarina. São da autoria de Eduardo Leite e executados na Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego, em Lisboa. 

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Na praça da Batalha, a Igreja de Santo Ildefonso de Toledo, construída em 1739,  possui duas torres sineiras e com as paredes adornadas de azulejos de Jorge Colaço (1932), com cenas da vida de Santo Ildefonso e alegorias da Eucaristia.

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Depois de um café no luxuoso e romântico Majestic, que nos remete para a “Belle Époque” dos anos vinte, não deixe de visitar a Livraria Lello & Irmão e aprecie o seu extraordinário valor histórico e arquitetónico, cujo interior guarda outras preciosidades incluindo os livros. 

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As Francesinhas e não só!

Cervejaria

Nas muitas e excelentes opções para um almoço reconfortante, encontra-se a “Cervejaria Brasão” na rua dos Aliados.

Um espaço agradável e bem decorado com um toque de atualidade quer no espaço quer nas refeições servidas. Aqui para além dos vários petiscos muito bem apresentados pois os olhos também comem, temos as deliciosas e tão características francesinhas. 

Esteja atento(a) pois, brevemente, iremos publicar uma receita tradicional das francesinhas.

O fim de tarde perfeito passado numa esplanada na Ribeira, apreciando o vinho do porto na forma de cocktail feito com vinho do Porto branco e água tónica, guarnecido com uma rodela de limão. Aqui assistimos ao mergulho constante de dois miúdos a quem perguntei a idade, 9 e 10 anos, que saltavam da plataforma para o rio numa ação imparável. A esta atividade das crianças foi juntar-se o pai de um deles, dando continuidade à sequência de mergulhos para espanto dos transeuntes e turistas que àquela hora por ali se encontravam.

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Enquanto as noites ainda são quentes, não deixe de visitar o parque da Fundação de Serralves. Visitámos o parque à noite para  assistir a um espetáculo ímpar de luz designado por – “Há luz no Parque” – com a participação do artista João Paulo Feliciano que decorreu entre julho e o dia 09 de setembro. Consulte o programa de atividades no site da fundação e ficará surpreendido com os inúmeros programas que estão previstos acontecer.

Programe um fim de semana de dois ou mais dias pois para além do referido, há outras experiências a vivenciar no Porto, como por exemplo assistir a um espetáculo na Casa da Música, fazer um passeio de barco pelo Rio Douro, visitar as Caves do vinho do Porto, em outra altura lhe havemos de falar,  etc.

Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto

Lá na leal Cidade, donde teve
Origem (como é fama) o nome eterno
De Portugal, armar madeiro leve
Manda o que tem o leme do governo.
Apercebem-se os doze, em tempo breve,
De armas, e roupas de uso mais moderno,
De elmos, cimeiras, letras, e primores,
Cavalos, e concertos de mil cores.

“Os Lusíadas” – Luís Vaz de Camões
Canto VI – Estância 52