À conversa com Alex e Paula Pérez – NAE Take a Walk on the Ethical Side

“A NAE surgiu em 2008, de uma vontade própria de usar sapatos que não tivessem origem animal ou prejudicial para o meio ambiente. Com o passar dos anos a nossa filosofia abraçou outros conceitos como o da sustentabilidade e o da ecologia.”

Um passeio numa manhã domingueira leva-nos para mais uma caminhada inspiradora no LxFactory, em Lisboa. É impossível esquecer o ambiente que se sente nesta antiga fábrica! Vivem-se experiências enriquecedoras num convívio salutar, entre a intensidade dos sons que nos fazem sentir vivos, as ideias que se trocam, os pensamentos que fluem com tanta arte e que nos animam, as ofertas alimentares saudáveis que nos fazem querer comer bem, a exuberância dos produtos, as esplanadas, as montras … enfim, aqui há de tudo. É, sem dúvida, um dos nossos lugares de eleição, este é mesmo um polo criativo de todos e para todos. 

Foi aqui que encontramos uma marca de sucesso que dá nova vida aos materiais que utiliza, alinhada com a sustentabilidade ambiental, estamos a falar da NAE – “No Animal Exploitation”, uma marca portuguesa de calçado, para homem e mulher, com uma filosofia vegana.

“A NAE surgiu em 2008, de uma vontade própria de usar sapatos que não tivessem origem animal ou prejudicial para o meio ambiente.

Com o passar dos anos a nossa filosofia abraçou outros conceitos como o da sustentabilidade e o da ecologia. Hoje, os nossos produtos estão à venda no nosso site com envios grátis para todos o mundo e na loja no LxFactory”. Acreditamos no projeto desde o primeiro minuto porque para nós fez logo sentido.”

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Nós: O casal Alex e Paula Pérez como se querem apresentar a que não os conhece?

NAE: Tratem-nos apenas por Alex e Paula Pérez, fundadores da marca NAE.

Nós: Como surgiu a NAE, qual a filosofia a ela inerente? A preocupação com a sustentabilidade ambiental foi o motor principal para a vossa decisão?

NAE: A NAE surgiu em 2008, de uma necessidade nossa em usar sapatos que não tivessem qualquer origem animal ou prejudicial para o meio ambiente. Começaram por ser poucos modelos apenas para uso próprio até que vieram os pedidos para amigos, familiares, e por fim o site que nos acompanha até hoje, com mais de 100 modelos diferentes, para homem e mulher.

Nós: Não tiveram receio que a vossa marca tão específica e diferente num mercado tão grande e tradicionalmente bem-sucedido não tivesse o seu espaço?

NAE: Como a ideia inicial não era criar uma marca com a dimensão de hoje, não colocamos qualquer pressão no nosso crescimento, fomos apenas aproveitando a abertura que o mercado nos foi dando.  Felizmente tem corrido bem até agora.

Nós: Há quantos anos existe a marca e quando sentiram que a mesma tinha “pés para os vossos sapatos”?

NAE: A NAE existe há 10 anos e enquanto fundadores, acreditamos no projeto desde o primeiro minuto porque para nós fez logo sentido. No entanto, o nosso salto enquanto marca verificou-se em 2016 quando começamos a apostar nos recursos humanos e numa estratégia de comunicação.

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Nós: A vossa aposta nos materiais utilizados bem com a sua origem, foi condição necessária e suficiente para o crescimento do vosso negócio?

NAE: Pode dizer-se que sim. A maioria dos nossos clientes são preocupados sensivelmente com a origem e composição dos materiais com que fazemos as coleções. Por isso, a nossa maior preocupação está na procura e na pesquisa de novos materiais cada vez mais naturais e sustentáveis.

Nós: Que tipo de materiais utilizam atualmente? Iniciaram o vosso negócio com todos os materiais hoje utilizados na vossa produção? Ou foram descobrindo novos materiais que respeitam e minimizam o impacto ambiental?

NAE: Quando começámos, a nossa principal preocupação era que os materiais não fossem de origem animal. Com o passar dos anos a nossa filosofia abraçou outros conceitos como o da sustentabilidade e o da ecologia. Nesse sentido, começámos com as microfibras ecológicas e a cortiça e mais tarde agarramos o tecido feito com garrafas de plástico recicladas, pneu reciclado e o tecido feito com fibras de folha de ananás. O ano passado descobrimos o airbag reciclado.

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Nós: Os segredos não se revelam mas, que conselho dariam a quem quiser iniciar um negócio deste tipo e ser uma alternativa ao típico calçado português em pele couro e ao mesmo tempo amigo do ambiente?

NAE: O nosso principal conselho é não desistirem se realmente acreditam no projeto. Muita gente vai estar contra e dizer que é uma loucura mas se realmente acreditam que faz sentido, avancem.

Nós: Para além desta loja no LxFactory como fazem a promoção do vosso produto?

NAE: Os nossos produtos estão á venda no nosso site com envios grátis para todos o mundo e na loja que inaugurámos este ano no LxFactory, aberta todos os dias das 11h às 20h. Para além destes locais, estamos também em vários Market Places como a AMAZON e o EBAY.

Nós: O vosso público é essencialmente vegan ou já conquistaram outro?

NAE: O nosso público é essencialmente vegan, preocupado não só com os animais mas também com o meio ambiente. É quem nos segue e apoia há 10 anos e portanto, é onde está o nosso foco😊

Nós: Foi fácil expandir o vosso produto para o mercado internacional? Querem chegar mais longe? Ou não é uma preocupação?

NAE: Tem sido uma agradável surpresa conquistar o público internacional. O mercado vegan cresceu muito em países como a Alemanha, França e EUA e por isso a procura por produtos vegan seja maior. O nosso objetivo é sempre chegar mais longe, ainda nos falta atingir tantas pessoas, gostávamos nós que todo o mercado vegan global nos conhecesse 😊

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Nós: Quanto ao design como conseguem imprimir inovação com materiais amigos dos animais? São difíceis de trabalhar? O conforto é uma das áreas prioritárias no design?

NAE: Conseguir aliar materiais sustentáveis e resistentes a um design bonito nem sempre é fácil. Por isso trabalhamos com os departamentos de modelagem das fábricas, para conseguirmos construir modelos de qualidade que têm como base o Design, Conforto, Resistência e Sustentabilidade. Este é um exercício bastante exigente, não podemos mentir.

Nós: Como garantem que na vossa produção apenas entrem materiais amigos dos animais?

NAE: Garantimos porque somos nós que fazemos essa pesquisa, falamos com os fornecedores, visitamos as produções e pedimos amostras. Temos de ter a certeza dos componentes utilizados na elaboração destes materiais, caso contrário não avançamos. A produção de todos os nossos modelos é feita em Portugal e isso também nos ajuda a garantir a resistência dos materiais e a seguir tudo de perto.

Nós: Para a próxima coleção tem alguma novidade a sair que possam desde já divulgar aos nossos leitores?

NAE: Para já não podemos adiantar muito, mas podemos dizer que algumas botas virão com ‘secret pocket’ 😊

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Ao casal Alex e Paula Pérez, fundadores da marca NAE, o nosso Obrigada! Inspirem-se, levem e usem sapatos feitos com materiais amigos dos animais e do ambiente.

 

Joana Teixeira e “The therapist”

“Tendemos a procurar muito o ideal da perfeição, principalmente nós mulheres …isso não existe.”

Vamos crescer partilhando, inspirar vidas e ser felizes com o que fazemos! Aqui ficam as palavras escritas de Joana Teixeira, criadora do “The Therapist” – que surge “da vontade de mudança, de ajudar quem nos visita, de deixar o mundo um sítio melhor do que o que encontrámos quando aqui chegámos.

“A palavra é algo muito forte e que fica para sempre gravada, por isso, tenta sempre utilizá-la para o bem.”

 

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Nós: Quem é a mulher Joana Teixeira que está à frente dos desígnios da marca The Therapist?  Como surgiu o The Therapist? Qual o conceito que está subjacente?

Joana Teixeira: A Joana é mulher como tantas outras, casada, com um menino de 2 anos de idade, que largou a sua carreira em gestão de marcas de grandes multinacionais para criar um espaço de bem-estar que alia a alimentação, as terapias  e o conhecimento num só local. Esta mudança de vida aconteceu após questões de saúde relacionadas com a pele, cuja solução apenas foi encontrada na medicina tradicional chinesa aliada à terapia quântica numa vertente mais emocional, assim como uma mudança alimentar e de estilo de vida. Os últimos 8 anos foram dedicados a pensar neste projecto ao detalhe, o The Therapist, e há pouco mais de 1 ano surgiu a oportunidade de lhe dar vida, aqui na LxFactory.

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Nós: A visão oriental do conceito de saúde valoriza o sentimento positivo, de harmonia e de bem-estar.  Pode-se afirmar que este projeto bebe muito desta filosofia, da importância em encontrar o equilíbrio entre – físico, mental, espiritual e energético – mente sã corpo são?

Joana Teixeira: Eu acredito que acima de tudo a mente tem de estar sã e o resto vem por acréscimo. Tendemos a procurar muito o ideal da perfeição, principalmente nós mulheres, temos ideais da mulher perfeita, carinhosa, profissional, boa mãe, que faz desporto, que se alimenta bem, que anda sempre impecável e, na maioria das vezes, isso não existe. E está tudo bem! Acima de tudo acredito que a nossa mente deve estar bem e para isso, o que é importante para mim, pode não ser para outra pessoa. O fundamental será sempre percebermos o que nos faz bem e perseguir isso, seja só estar rodeado de amigos e família, ter uma boa alimentação ou estar presente aqui e no agora. E nós queremos ser um contributo para esse bem-estar mental.

O objectivo deste projecto é acima de tudo dar as ferramentas para que as pessoas possam estar bem através das vertentes que consideramos importantes (para nós): a alimentação saudável, as terapias e o conhecimento.

 

Nós: As pessoas cada vez estão mais abertas e começam já a recorrer às Medicinas Complementares ditas alternativas, essa terá sido a razão principal, para se lançar neste projeto?

Joana Teixeira: Não. Quando o projecto começou a ser pensado, há cerca de 8 anos, estas medicinas não convencionais ainda eram pouco conhecidas e os espaços que existiam na altura apenas se  dedicavam a um tipo de terapia, ou a uma vertente. Este projecto surge mesmo para ser um dos contribuidores para esta abertura e crescimento das terapias não convencionais e da alimentação saudável.

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Nós: Quando abriu a “The Therapist” tinha a noção perfeita do que pretendia, iniciou com todas as atividades atuais ou foram crescendo à medida das necessidades e da procura?

Joana Teixeira: Quando abrimos tínhamos perfeita noção do que queríamos, mas este ano tem realmente sido um ano de grande aprendizagem. Por exemplo, nunca pensámos que o nosso restaurante teria tamanho sucesso. Sempre pensámos que seria apenas uma cafetaria de apoio às terapias e acabou por se revelar uma vertente fundamental deste projecto, tanto que já tivemos de ampliar a zona de mesas para conseguir servir mais pessoas que nos procuram todos os dias para usufruírem de uma refeição saudável, sem açúcares refinados nem lacticínios mas com um sabor incrível. É um projecto que cresce com as pessoas: quem trabalha aqui no espaço e quem nos visita. Não é um projecto estanque, vai crescendo e aprendendo com as pessoas e vai evoluindo também. As terapias que temos actualmente são aquelas com que começamos à excepção da Terapia de Gengibre e a Nutrição Funcional.

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Nós: Afirmação vossa, The Therapist School é uma escola da vida. Porquê? Quais os cursos, workshops que se ministram na vossa escola? São muito requisitados? Tem algum agendado neste momento?

Joana Teixeira: É uma escola da vida porque nos ensina tudo o que não nos ensinaram na escola tradicional e que consideramos de extrema importância para os dias de hoje. Isto pode ir desde alimentação saudável, a mindfullness, a gestão de finanças, relações pessoais, arranjos caseiros,.. O céu é o limite! Neste momento estamos a trabalhar num formato de curso com vários módulos lecionado por pessoas de referência em cada área que iremos lançar no regresso à escola depois do Verão.

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Nós: O que é o vosso Ambulatório? Que tipo de consultas oferecem?

Joana Teixeira: O Ambulatório foi o nome inicial que demos ao nosso restaurante por ser a zona onde as pessoas iriam esperar e recuperar das consultas. A terapia acaba por ser a refeição saudável e saborosa que servimos no nosso restaurante.

Nós: Que tipo de terapias proporcionam aos vossos clientes? E o que são?

Joana Teixeira: Vejam no nosso website www.thetherapist.pt todas as nossas terapias que temos e descrição.

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Nós: O que é um restaurante flexitariano biológico? Porque seguem esta linha na alimentação?

Joana Teixeira: Seguimos a linha flexitariana na alimentação e em tudo. Acreditamos que a vida é para ser vivida sem fundamentalismos e refletimos isso em tudo o que fazemos no nosso espaço. Temos também muitas famílias que nos visitam com escolhas alimentares diferentes, por exemplo, o pai come peixe mas a mãe é vegetariana e queremos ter opções para todos os membros da Alimentação família. Temos sempre opções vegan, vegetarianas e uma de peixe. Temos também opções sem glúten, por exemplo. O que realmente não servimos são produtos com açúcar refinado nem lacticínios, porque queremos que as pessoas conheçam uma alimentação diferente e que percebam que é possível fazer sobremesas deliciosas, como o nosso tão conhecido bolo de cacau, sem qualquer açúcar nem leite.

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Nós: Pode apresentar um pouco o vosso Menu, a vossa ementa? Por exemplo o que é uma sobremesa literalmente terapêutica?

Joana Teixeira: O nosso menu de almoço muda todos os dias consoante os produtos da época e o tipo de alimentação que se deve fazer em cada estação. As sobremesas também estão sempre a mudar, excepto o nosso bolo de cacau que temos sempre de ter disponível senão os nossos clientes habituais chateiam-se! Podem aceder ao menu completo na nossa página de facebook. https://www.facebook.com/TherapiLx/menu/

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Nós: O que é a Biblioterapia? Fazem leituras orientadas para o bem-estar?

Joana Teixeira: A biblioterapia é o processo terapêutico que se realiza através da orientação e prescrição de leituras, tendo como principal objetivo restabelecer na pessoa os estados de equilíbrio, harmonia e motivação. Atuando nas mais diversas áreas do desenvolvimento humano, as sessões de biblioterapia fornecem técnicas e ferramentas para que o participante resgate o seu potencial e ultrapasse os obstáculos que o estão a impedir de atingir a sua felicidade e o seu sucesso. Cada sessão é orientada para o paciente em questão e a sua patologia.

 

Nós: Pode deixar uma pequena receita que suscite água na boca aos nossos clientes e o desejo de aprender a fazer bem e a comer saudável?

Joana Teixeira: Todos os meses publicamos uma receita nossa na nossa página de instagram. É uma questão de a irem seguindo! Temos por exemplo esta que é uma das nossas melhores sopas: https://www.instagram.com/p/Be2xJUOBQsu/?taken-by=thetherapistlx

 

Nós: Deixe-nos um desafio ou mensagem sobre algo que esteja ao alcance de cada um de nós fazer, como contributo para um mundo melhor.

Joana Teixeira: Eu tenho uma frase de Don Miguel Ruiz que me acompanha sempre e tento pôr em prática todos os dias – “be impeccable with your word” – ou seja, sê sempre irrepreensível naquilo que dizes. Se tens algo a dizer que sabes que não vai ser um contributo positivo para o mundo ou para quem o estás a dizer, guarda para ti. A palavra é algo muito forte e que fica para sempre gravada, por isso, tenta sempre utilizá-la para o bem.

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A porta está aberta, atreva-se a entrar! Vai adorar

Surpreendidas naquela manhã de domingo no LX Factory!

Numa daquelas manhãs domingueiras, pudémos confirmar que os sonhos vividos com os nossos olhos se podem inspirar naquela Feira que acontece no LX Factory. Que ótima manhã!

Numa daquelas manhãs domingueiras, duas amigas encontram-se para falar do seu blogue, combinar “coisas”, delinear tarefas, agendar artigos e confirmar que os sonhos vividos com os nossos olhos se podem inspirar naquela Feira que acontece no LX Factory, onde toda uma ambiência nos dá vontade de Fazer Acontecer como que a conspirar a nosso favor e a amizade que se consolida nestes encontros – que ótima manhã!

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E lá fomos nós no Dia de Portugal – 10 de junho, na expetativa, é certo, de encontrar alguns dos nossos entrevistados e agora, já nossos amigos. Após a “bica” da praxe, num café ali mesmo, acompanhada duma amena e sorridente cavaqueira, deu-se início ao passeio numa calçada gasta, com pedras soltas aqui e ali e algo desnivelada, entre uma pequena multidão, e em modo cúmplice, íamos atentas à procura de amigos, de algo que nos prendesse o olhar, daquela banca especial, da boa disposição dos caminhantes que se cruzavam, do carinho dos vendedores, fotos que se tiravam enquanto a gargalhada se soltava e os encontros e desencontros se davam entre aquele sol que ora aparecia ora desaparecia.

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O percurso até ao final da rua principal levou-nos até ao “The Therapist”, encantadas com a entrada, com o slogan, com a mesa larga de madeira na rua de cujo centro brotavam algumas alfaces verdejantes, após uma troca de olhares entramos, vimos uma mini biblioteca, uma mesa de massagens, algumas mesas quadradas e cadeiras, um mini espaço para crianças, uma cozinha, um enorme quadro preto de ardósia onde estava inscrito o menu da casa e perante aquele espaço multifacetado questionamos uma funcionária que simpática e prontamente aderiu – qual o conceito, que tipo de alimentação e tratamentos oferecem e, até perguntámos, a rir e em tom de graça, se as massagens eram feitas enquanto se degustavam aquelas deliciosas iguarias.

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Corremos todo o espaço da feira, perscrutando todas as bancas e recantos à procura de rostos conhecidos e amigos que esperávamos encontrar. Mas, para além do simpático casal Sofia e Pedro, donos da “Ervan’Area” com a sua banca de chás e especiarias e com quem conversámos – recentemente publicamos uma entrevista com o título “Chás, Infusões e Especiarias“, não identificámos os amigos que esperávamos encontrar. Queríamos fazer surpresa e acabámos surpreendidas… perto da hora de irmos embora, depois de um telefonema, constatámos havíamos trocado as datas. Motivo, que nos fará regressar para mais um salutar convívio pelas ruas do LX-Factory onde se realizam as feiras domingueiras e onde irá acontecer um evento de Promoção da Candidatura a Selo e postal da Republica Portuguesa, no próximo dia 08/07/2018. 

 

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Em resultado desta nossa visita passeio, lançámos um desafio à Joana Teixeira, criadora do “The Therapist” para uma pequena e breve entrevista, porque acreditamos que os sonhos vividos nos nossos olhos e na nossa alma se podem concretizar, se podem libertar e para que possamos todos em unidade tornar o mundo mais sustentável e consciente – Vamos crescer partilhando, inspirar vidas e ser felizes com o que fazemos!

Aguardem um pouco…. Teremos mais novidades…

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Brevemente poderão ler aqui a entrevista a Joana Teixeira que criou um espaço de bem-estar que alia a alimentação, as terapias e o conhecimento.

Não têm desculpa … foram avisados!

Chás, infusões e especiarias

“…este mundo fascinante que é o da fitoterapia, da degustação de chás e infusões e adoramos comer e cozinhar, daí as especiarias e misturas para culinária…”

O mundo das feiras e mercados é tão amplo! Aqui tudo pode acontecer! dependendo da vontade do freguês e dos feirantes, com uma diversidade imensa de produtos, podem fazer-se boas compras, às vezes descobrem-se umas pechinchas e aproveita-se o passeio para um franco e animado convívio com pessoas diversas, conversadoras, simpáticas e com muitas histórias vividas e contadas, em plena rua – ao ar livre!

Ao longo de todo o ano, mas em especial nesta época, em que o tempo convida a passeios pela rua, há imensas oportunidades de “ir à feira”. Elas proliferam pela periferia ou nas grandes praças da cidade, umas semanais outras mensais e ainda outras temporárias – as temáticas. São lugares onde os gestos do comércio tradicional ainda se mantêm vivos, onde se pode encontrar de tudo, quer sejam: produtos hortícolas frescos e biológicos, roupa nova ou em 2ª mão e baratinha, artesanato, ou aquele objeto vintage para a sua decoração com clima do passado, uma variedade de outras coisas à nossa disposição.

Nesse domingo decorria a Lx Factory Rural-Market Lovers, uma feira de usados com um cunho “cool e trendy” é um dos mercados alternativos mais popular de Lisboa, parámos à conversa com Sofia e Pedro, um casal simpático, que nos habituais passeios domingueiros pelas feiras tradicionais de artesanato e agricultura, os encontro regularmente, sempre com a sua banca de chás, infusões e especiarias.

Pela tradição das feiras, pelo sabor e benefícios para o nosso bem-estar que o chá nos proporciona, pedimos o testemunho a este simpático casal, que aqui partilhamos para si.

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Nós: Este vosso percurso profissional é recente? Querem contar um pouco a vossa história? Especializaram-se nesta área e por isso decidiram abraçar este mundo imenso dos chás e das especiarias?

Sofia e Pedro: Nós fomos (e somos) designers gráficos na área editorial, mas por razões como a decadência da imprensa, a desvalorização da experiência no meio profissional ou empresarial, começámos a necessitar de fazer outras coisas. Foi uma busca longa e muito variada nas experiências, desde fazer presunto e queijo em casa porque não queríamos consumir os químicos utilizados pela indústria, à construção de um tear artesanal de 4 pentes (já de uma dimensão considerável) e aprendizagem de como fiar e tecer lã à mão. Ou seja, disparámos em várias direções, até chegarmos “às ervas”, como nós nos referimos ao nosso projeto. O avô da Sofia foi ervanário, ainda temos as receitas das misturas medicinais dele, e o irmão do Pedro é médico de Naturopatia, Medicina tradicional chinesa, fitoterapia, homeopatia e acumpuntura, pelo que sempre estivemos rodeados por este mundo fascinante que é o da fitoterapia, da degustação de chás e infusões e adoramos comer e cozinhar, daí as especiarias e misturas para culinária que estamos sempre a desenvolver.

Nós: O que é uma infusão?

Sofia e Pedro: Uma infusão é um processo de fabricar bebidas em que se colocam os ingredientes em água quente ou fria. Em relação às ervas, todas as bebidas são infusões, menos as que são feitas com a planta do Chá (Camellia sinensis), mais conhecida sob a forma de chá branco, amarelo, verde, preto ou vermelho.

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Nós: Consideram que as vossas misturas e combinações são mezinhas (remédios caseiros)?

Sofia e Pedro: O termo “mezinhas” é, infelizmente, negativamente associado a remédios feitos sem conhecimento. No entanto, a sabedoria popular, que durante várias décadas foi desprezado e praticamente esquecido contém muitas verdades, hoje cientificamente testadas e comprovadas. As nossas misturas são fruto do conhecimento do médico que trabalha connosco e consulta de muita bibliografia com ensaios clínicos e com plantas aprovadas pela Comissão E alemã. Toda esta bibliografia provém de autores da área das ciências, química, medicina, principalmente de farmacêuticos.

Nós: Foi fácil a aprendizagem para fazer as misturas e combinações, ou tem algum especialista a ajudar? Quem por norma as prepara? Testam as vossas combinações? Têm provadores?

Sofia e Pedro: A aprendizagem só é fácil na medida em que gostamos muito do que fazemos, mas obriga a uma atualização constante e uma busca contínua de fontes fidedignas. Quem prepara as misturas somos nós, sempre depois de as discutirmos com o médico que colabora connosco. Provamos sempre todas as misturas, medicinais ou não, antes de as colocarmos à venda, daí avisarmos sempre os clientes quando uma delas é particularmente difícil de beber, como as que contêm alcachofra, por exemplo.

Nós: Como conseguem ajudar as pessoas que se aproximam da vossa banca e apresentam os seus problemas, tendo em atenção que os produtos naturais devem ser usados com algum cuidado, por pessoas com alguns problemas de saúde, como por exemplo tensão alta? Sentem-se à vontade para aconselhar sem receios? Quem usa os vossos chás já vos tem dado feed-back?

Sofia e Pedro: Claro que os produtos naturais devem ser usados com cuidado, mas não com mais cuidado do que todos os químicos que por aí circulam, seja na medicina, na alimentação, na cosmética ou na limpeza. Há medicamentos químicos, cujos possíveis efeitos secundários são os sintomas para os quais são indicados, já para não falar de outros efeitos bem nefastos, o que não significa que não tenha de se recorrer a estes de vez em quando.

Nós só nos sentimos à vontade para aconselhar nos casos mais simples, sempre dizendo às pessoas que devem consultar um médico para complementar os tratamentos com medicamentos, naturais ou não, e até com a alimentação. Dizemos sempre às pessoas que não somos médicos e não os queremos substituir.

O feed-back que temos dos clientes é na sua grande maioria muito positivo. Claro que há casos em que as misturas não resultam, dou o exemplo do Rooibos em que uma das suas propriedades é ser anti-histamínico e, no entanto já me apareceram 2 pessoas que são alérgicas a esta planta. Cada corpo é um corpo e isso não possível contornar.

Nós: Há todo um ritual para se fazer um chá corretamente para se obter uma bebida perfeitamente deliciosa e de qualidade? Como por exemplo a temperatura da água, o armazenamento das ervas e folhas, etc? Querem dar-nos alguns conselhos?

Sofia e Pedro: Um dos conselhos que as pessoas, principalmente as mais velhas, estranham sempre é de que não devem ferver as ervas (salvo raras exceções), deve sim utilizar-se água fervida, daí o nome infusão. O armazenamento das ervas deve ser feito preferencialmente em vidro, fechado hermeticamente e fora da luz. Nestas condições podem armazenar-se quase todas as plantas durante 1 a 2 anos.

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Nós: Pode dar-nos um exemplo de um chá para beber quentinho, geladinho e que seja uma vossa última inovação?

Sofia e Pedro: Isso depende muito dos gostos de cada um. Das plantas simples às misturas mais aromáticas temos mais de 100. Dos clássicos como a Erva Príncipe, lucialima, cidreira aos mais arrojados como Chocolate picante, cacau-jasmim, passando pelo hibisco … Há também clientes que compram as ervas em separado e fazem as suas próprias misturas. O hibisco é muito popular bebido fresquinho, por exemplo.

Nós: Para além de venderem os vossos produtos nas feiras, também vendem online. Como se podem encomendar e se existem custos associados? Tem algum local fixo onde as pessoas se possam dirigir?

Sofia e Pedro: As feiras e mercados que fazemos vamos anunciando na nossa página do facebook, que é onde as pessoas podem pedir o nosso catálogo e encomenda online. Para encomendas até €20, os portes de envio, que são por conta do cliente, ficam em €2 até 500g, para encomendas superiores oferecemos os portes.

Nós: Sofia e Pedro têm uma oferta variada de misturas medicinais e ervas aromáticas e frescas cujas cores e aromas despertam todos os nossos sentidos. O que sentem quando as pessoas se abeiram da banca e assinalam isso mesmo? Sentem orgulho no vosso trabalho?

Sofia e Pedro: Orgulho e reconhecimento. Já tivemos clientes na banca que percebem muito mais de plantas do que nós, tanto da área fitoterapêutica como da culinária, que voltam sempre porque reconhecem a qualidade dos nossos produtos e que acabam sempre por nos ensinar muita coisa e, normalmente, deixam-nos sempre com desafios para ultrapassar, como descobrir uma planta para determinado problema ou uma mistura de especiarias de que nunca ouvimos falar e que queremos sempre experimentar fazer. As gerações mais novas estão também muito interessadas em usar as plantas para viverem melhor seja na prevenção de doenças ou na alimentação. É sempre muito interessante e gratificante.

 

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