Há sempre a acontecer Aqui e Ali um Festival!

Um festival Gastronómico! No restaurante O Navio na Praia do Navio em Santa Cruz, a sapateira é rainha.

E não é que é verdade! Há festivais, mas não só de música, neste caso fomos a um gastronómico – o Festival da Sapateira, onde esta é soberana rainha … ahahah …

A equipa hucilluc meteu pés a caminho dentro de uma viatura de 4 rodas, partimos de Lisboa em direção à A8 e algures no percurso saímos para A-dos-Cunhados. Cerca de 60 km percorridos e a menos de 1 hora de Lisboa chegamos ao nosso destino – Santa Cruz, dia excelente com um sol radioso e temperatura alta!

Falada por não ter o melhor clima do mundo, por nem sempre o sol brilhar com o denso manto de nevoeiro a cobrir esta estância balnear, mas ainda assim de rara beleza – é um dos paraísos à beira mar plantado. É exatamente em Santa Cruz, que desde 7 de setembro está a decorrer o Festival da Sapateira cujo término é já no próximo dia 7 de outubro. São vários os restaurantes que aderiram mas o eleito por nós foi o “Navio”, que é o único a prolongar este festival até ao dia 14 de outubro e se situa na Praia do Navio.

Chegados ao local, e apesar de não ter mesa reservada, com alguma sorte conseguimos lugar numa das salas, com vista privilegiada para a praia, com um sol radioso a incidir na areia e no mar. Tudo indicava que iríamos gozar de um almoço aprazível, não fora o calor que se fazia sentir na sala, único reparo a apontar.

De resto tudo correu maravilhosamente, sapateira boa, cerveja bem fresquinha, casquinha deliciosa, pão torrado na mesa, atendidas por um empregado – o Mauro, rapaz simpático, que se apresentou de imediato à nossa chegada com um sorriso e nos questionou o que queríamos almoçar. Retorquímos, venham de lá essas sapateiras, que é para isso que aqui estamos, nós e não só, a calcular pelo barulho do martelar que se fazia ouvir em todo o restaurante. Como é óbvio não vamos dizer quantas comemos, esse é um segredo nosso.

No final, pedimos para tirar umas fotos e como tínhamos curiosidade em saber a história deste festival, aqui fica o que nos contaram.

Este festival gastronómico já vai na 22ª edição, é promovido pela Câmara Municipal de Torres Vedras e organizado por seis restaurantes aderentes, das praias de Santa Cruz (Hotel Santa Cruz, La Fontana, O Navio, O Polvo, O Promar e o Santa.Come).

Esta espécie de crustáceo é conhecida por estar cheia de ovas nesta altura do ano. Por isso esta iniciativa se realizar nesta época. O preço da sapateira é fixo – 18,50€/pessoa (não inclui bebidas nem pão) e pode repetir as vezes que quiser, quantas desejar ou o seu estômago permitir. Pode ir para almoçar e ficar até ao jantar, só não pode é sair do restaurante, senão a refeição é dada como terminada.

Aqui fica o registo fotográfico e apressem-se está quase a acabar, depois só para o ano para se deliciarem com 1, 2, 3, 4, … … sapateiras bem gostosas.

 

 

 

 

 

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A lenda da Santa Cruz – e as festas de Monsanto

Nos festejos anuais, as mulheres vestem-se a preceito e, ao som de adufes e de canções populares, agitando marafonas e transportando potes de flores à cabeça, partem da povoação em direção ao castelo.

Lendas – A forma de reter na memória histórias sobre um passado longínquo, que vão sofrendo alterações de acordo com situações particulares e com quem vai transmitindo essas histórias, gera diferentes versões sobre os factos ocorridos.

Diz o ditado “quem conta um conto acrescenta um ponto”.

A lenda da Santa Cruz tem origem profana ligada ao ciclo da Primavera e é a base da principal celebração de Monsanto, a Festa da Santa Cruz. A lenda, com o passar dos tempos foi cristianizada e surge com várias versões. Numa das suas versões, está associada a um cerco do castelo pelas tropas do pretor Romano Lúcio Emílio Paulo em fins do século II a.C., segundo outras versões, a um ataque dos mouros por volta de 1230, ou até posteriormente durante as lutas com Castela.

No entanto, independentemente dos invasores que cercaram o castelo, o objetivo dos inimigos sitiantes era o de vencer pela fome os defensores do castelo.

A tradição refere que o cerco se prolongava já por sete longos anos, fazendo com que os alimentos no interior das muralhas escasseassem. As mulheres ocupavam-se da gestão dos parcos alimentos procurando que todos tivessem a sua quota parte. Quando restava apenas uma vitela magra e um alqueire de trigo, uma das mulheres sugeriu que, para iludir o inimigo, alimentassem a última vitela com o último trigo e, numa festa, a lançassem por sobre os sitiantes. Assim fizeram, lançaram a vaca das muralhas e ao embater contra as rochas, espalha-se o trigo que tinha no ventre. O inimigo ao ver isto, pensou que os habitantes fechados dentro das muralhas, ainda tinham muitos alimentos e encontravam-se protegidos pela providência divina, levantaram o cerco e abandonaram a região.

O episódio é atribuído a um dia 3 de maio, coincidindo com o dia da Santa Cruz, que assinala a descoberta da Cruz de Cristo, a Vera Cruz, por Santa Helena. Nos festejos anuais, as mulheres vestem-se a preceito e, ao som de adufes e de canções populares, agitando marafonas e transportando potes de flores à cabeça, partem da povoação em direção ao castelo. Chegadas ao alto das muralhas, lançam para o exterior os potes brancos, simbolizando a vitela, revivendo, desta forma, o episódio do fim do cerco e a salvação de Monsanto.

A foto das Matrafonas foi retirada da web em: http://www.portugalnummapa.com/marafona/