A Biodanza na perspetiva de Catarina Almeida

O reencontro com a alegria, a espontaneidade, o reforço da autoestima e também o prazer de viver e de se encantar com as coisas mais simples.

Os meios de comunicação social levaram-nos a conhecer Catarina Almeida que se dedica de corpo e alma a uma paixão a Biodanza. Deixa-nos um desafio experimentar esta prática que não tem contraindicações e pode ser realizada por pessoas de todas as idades. Leia  a entrevista e deixe-se envolver numa corrente de celebração, de respeito por si e pela vida em todas as suas formas.

“…um resgate do significado da vinculação com todas as formas de vida num ritual de celebração, da alegria de viver, do prazer de viver, da espontaneidade e descoberta, presentes a cada instante, do respeito por si mesmo, a par do vínculo com os outros, e também da harmonia e ligação ao sagrado que existe em toda a vida.”

Catarina sorriso

Nós: Biodanza a “dança da vida” pode explicar um pouco melhor este conceito?

Catarina Almeida: Bom, na verdade a ideia que fez nascer a Biodanza é muito simples e resultou da observação da sociedade e das pessoas e da urgência de devolver ao ser humano um sentido de sacralidade e de respeito por si próprio e pela Vida, em todas as suas formas.

Nesse sentido, o que Rolando Toro Araneda (Chileno que desenhou a Biodanza na década de 60) nos propõe é um resgate do significado da vinculação com todas as formas de vida num ritual de celebração.

Um resgate também das funções originárias da vida: da alegria de viver, do prazer de viver, da espontaneidade e descoberta, presentes a cada instante, do respeito por si mesmo, a par do vínculo com os outros, e também da harmonia e ligação ao sagrado que existe em toda a vida.

A Biodanza devolve-nos às heranças remotas da espécie humana em que todos os factos da vida eram celebrados: os nascimentos, as colheitas, as estações… pelo encontro com a dança, o canto e a música, onde esses momentos ganhassem significado pela união dos membros de um grupo.

Nós: Qual a sua história ou como surgiu esta proposta inovadora de dança?

Catarina Almeida: Para mim a Biodanza foi um amor à primeira aula. Estava num momento de grande transformação e mudança na minha vida: por um lado estava um pouco perdida e por outro sentia em mim uma enorme coragem para fazer escolhas novas e diferentes.

E a aula que fui experimentar era sobre o Tigre, um dos 4 animais que dançamos e que, em Biodanza, representa a qualidade de foco, de ação ousada e inteligente, de assertividade e disposição para assumir as próprias escolhas.

Não queria acreditar no que vivi, dancei e me fez perder essa noite de sono. Mas não era para menos: aquela noite no verão de 2010 ainda hoje tem um imenso impacte na minha vida.

O que mais me surpreendeu e encantou nessa primeira experiência foi o ambiente alegre e genuíno, espontâneo e simples que nunca tinha encontrado igual (e ainda hoje sinto assim). Senti-me acolhida e livre para ser eu mesma. Foi um momento extraordinário que é sempre capaz de me comover.

Nós: E qual a sua importância para o corpo e mente do praticante?

Catarina Almeida: Na verdade toda a prática da Biodanza tem por objetivo a integração da Identidade humana, entendida como diálogo coerente entre o que penso, como comunico, como me sinto e como ajo. Ou seja, encontra-se a coerência e a harmonia entre corpo e mente mediados pelo coração.

Parece simples mas muitos de nós experimentamos o que em Biodanza chamamos de dissociação: sentimos uma coisa mas fazemos outra, dizemos uma coisa mas agimos noutro sentido. E para muitos, só chegar a perceber isto já é uma incrível descoberta.

A valorização excessiva das competências mentais e o ritmo de vida alucinante são os responsáveis pelas nossas doenças: o esgotamento, o burnout, os problemas de sono e por aí fora… têm a sua origem na falta de escuta do corpo, dos seus tempos e da sua inteligência própria.

Parece-me que para muitos de nós o dia-a-dia está cheio de coisas para fazer e à minha volta escuto sobre o cansaço, as rotinas e agitação constantes, as listas de coisas para fazer sempre maiores que os dias. Por outro lado, levamos um estilo de vida sedentário e muito parado.

Dançar traz alegria, liga-nos aos nossos ritmos e tem reflexos rápidos na saúde, no sono e na atenção a si mesmo, o que leva a um maior autocuidado e à descoberta de novos recursos e respostas.

Nós: Como pode a Biodanza desenvolver o lado emocional de quem pratica esta arte?

Catarina Almeida: Quando se pratica Biodanza como processo de desenvolvimento vivencial fica favorecido o acesso a potenciais e à compreensão de nós próprios que vão muito além da experiência do quotidiano, onde podem permanecer adormecidos.

Apesar das aulas terem uma forte orientação metodológica, na verdade elas são únicas e diferentes todas as semanas, o que faz de cada encontro do grupo uma experiência nova e uma surpresa.

Também por isso, dançar não é uma experiência rotineira e traz uma sensação de renovação e de bem-estar que se reflete no ânimo e boa disposição, no meu olhar perante a vida.

Como primeiras conquistas são experimentadas a redução do stress, o aprender da própria regulação entre ação e descanso e o reencontrar de uma real sensação de harmonia orgânica e de bem-estar. Daqui surge o reencontro com a alegria, a espontaneidade, o reforço da autoestima e também o prazer de viver e de se encantar com as coisas mais simples.

Não é invulgar surgirem formas de elaboração e de expressão criativa ou mesmo artística para surpresa dos próprios… Surge ainda uma nova relação consigo mesmo desde esses novos lugares que se reflete naturalmente na relação com os outros e numa ligação ao maravilhoso e sagrado da vida.

Nós: Como pode uma dança “induzir modificações existenciais”? Como pode esta técnica para além de renovar energias, estimular a criatividade e resgatar a essência do ser humano?

Catarina Almeida: Com o tempo e com uma prática regular de Biodanza aprende-se a traduzir os elementos da própria vida em movimento e acede-se à experiência coerente do próprio processo existencial: eu vivo como eu danço e eu danço como eu vivo.

É nesta ponte entre dança e vida que eu conquisto a capacidade de escolher e empreender mudanças existenciais, porque me conheço, me experimento e daí surgem decisões sobre o que é positivo para a minha vida.

O meu movimento e a minha dança informam-me sobre mim própria numa verdade que se reconhece em vivência. O conceito de vivência devolve-me ao presente do aqui e agora e neste momento o meu movimento é pleno de sentido, é a experimentação real, inteira e intensamente vivida de contacto com o profundo, subjetivo e irrepetível que é a própria Vida.

Depois desta experiência e da sua verdade intrínseca eu aprendo sobre mim e passo a reconhecer, a saber o que é bom e o que não é bom para mim naquele momento da minha vida. Está aqui a origem das escolhas que depois faço.

Nós: Pode enunciar ou descrever alguns dos benefícios que esta atividade propícia para a saúde bem-estar dos praticantes?

Catarina Almeida: Apesar de ter efeitos terapêuticos, a Biodanza não pode ser classificada enquanto terapia pois não parte de um diagnóstico externo.

Estão cientificamente comprovados vários dos seus benefícios, tanto físicos como psicológicos, e as principais melhorias reportadas dão-se a nível dos sistemas orgânicos e psicomotores: metabólico, neurovegetativo, endócrino e imunológico, assim como a nível psicológico: emocional, afetivo e relacional.

Estes são os principais benefícios que pode trazer uma prática regular de Biodanza:

  • Melhora a qualidade de vida, aumenta a saúde geral, a sensação de harmonia orgânica e bem-estar;
  • Resgata a motivação, a alegria e o prazer de viver, amplia capacidades motoras e aumenta a energia vital;
  • Fortalece a autoimagem, a autoestima e a expansão da confiança em si mesmo e facilita o reencontro com a expressão da espontaneidade e da autenticidade;
  • Estimula a comunicação e a expressão dos sentimentos de forma integrada e amplia a consciência e a perceção de si, do outro, do espaço e do tempo;
  • Cria um espaço protegido para o autoconhecimento, para identificar desafios, superar dificuldades e alterar comportamentos e o desenvolvimento integrado da identidade e dos próprios potenciais;
  • Motiva a exploração criativa, a experimentação e a capacidade de expressão pela arte e apoia a capacidade de buscar novas possibilidades, acolhe a mudança e a realização pessoal;
  • Desperta uma nova ecologia humana baseada na escuta, cuidado e amorosidade nas relações e nutre a criação de um contexto afetivo vivencial positivo e de pertença a um grupo;
  • Incentiva uma nova forma de relação com a natureza e com toda a Vida, baseada no amor.

A prática regular leva a uma reavaliação de hábitos e comportamentos quotidianos e permite alargar a perceção e encontrar novas atitudes e estilos de vida mais saudáveis.

Nós: Como é composta uma aula de biodanza? É necessário ter alguma aptidão particular para a prática desta dança?

Catarina Almeida: Para vos dizer a verdade é bem mais fácil dançar do que explicar! E é tão simples que nem sequer é preciso saber dançar: o que é convidado a aparecer é o movimento natural que responde à música e ao grupo e assim ficam fora da sala os padrões estéticos e a procura pela “resposta certa” ou “bonita”. A dança e o dançarino estão em presença e de mão dada com a totalidade da própria vida humana.

A Biodanza não tem contraindicações e pode ser praticada por pessoas de todas as idades.

Nós: “Trata-se de aprender a ‘dançar a vida’ e descobrir o ‘prazer de viver’” Pode comentar esta citação de Rolando Toro, antropólogo, psicólogo, pintor, professor, poeta chileno e o criador da Biodanza?

Catarina Almeida: Quando me perguntam “mas afinal de contas o que é a Biodanza?” pois não tenho facilidade em responder: não é um desporto, não é uma terapia, não é uma arte performativa e seguramente não é uma religião.

Mas é sem qualquer dúvida uma proposta de genial simplicidade, integrada e inovadora, que junta conhecimentos da Ciência com a abordagem singular da Arte. O foco está em viver – aqui e agora e aí se encontram os valores essenciais de cuidado pela vida.

Rolando Toro Araneda percebeu a nossa falta de conexão com o essencial em nós, enquanto indivíduos e enquanto espécie e daí a sua genial criação que tem dado a mim e a muitos outros pelo mundo inteiro o argumento que faz da nossa Vida a Arte Maior: a Arte de Viver.

Deixe-se inspirar assistindo ao vídeo de Catarina Almeida  

 

 

Valsa – Associação onde se valsa e se abraça arte

Na Valsa “…oferecemos atividades culturais gratuitas para todos os públicos, num lugar esquisito, cheio de plantas, que mais parece um clube privado italiano do fim dos anos 70”

Em Lisboa nasceu uma nova Associação Cultural, a Valsa, no sítio da Penha de França! A fotografia das duas jovens sorridentes, com um o ar de quem, com boa disposição, está inspirado com a vida, é de Nuno Pinto Fernandes, para a revista Evasões e foi-nos cedida pela Associação Valsa.

Marina Oliveira e a amiga Mariana Serafim voaram de São Paulo para Portugal e lançaram-se neste projeto. Um espaço multifacetado que oferece bebidas e petiscos, mas também uma loja de livros e discos e uma agenda cultural mensal, onde se pode dançar a valsa e não só! Pode escutar discos, assistir a uma sessão de cinema, deliciar-se com todo o tipo de workshops realizados ali mesmo e ainda mais… Mas, nada melhor que as próprias, para nos darem nota de que, a inspiração surge em todas as idades, que os sonhos vividos devem ser partilhados para inspirar quem ainda não sabe que sonha. Todos juntos, somos melhores e podemos, em consciência, colocar os sonhos em evidência e ajudar na concretização da felicidade individual e coletiva.

Walt Disney afirmou “Se você consegue sonhar algo, consegue realizá-lo!”. Aqui fica o testemunho destas duas jovens na palavra escrita.

Leia, leve e inspire-se …. Realize e Valse!

 

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Nós: Quem são a Marina Oliveira e a Mariana Serafim? Como se apresentam?

Valsa: Ambas nascemos em Santos, litoral de São Paulo e nos conhecemos/brincávamos juntas em encontros de amigos dos nossos pais, quando tínhamos por volta de 10 anos de idade. Alguns anos depois, nos reencontramos no conservatório de música (Marina estudando guitarra e Nika, como sou conhecida, baixo). Tivemos uma banda juntas por alguns anos e de aí por diante fizemos parte do mesmo grupo próximo de amigos. Marina estudou arquitetura, mas sempre trabalhou com urbanismo. Veio para Portugal fazer um mestrado em urbanismo sustentável. Nika é formada em hotelaria e teve a sua carreira construída nesta área, mas além disso também estudou Produção Musical e Produção Cultural.

Nós: Como nasceu esta associação cultural? Foi um sonho concretizado no imediato?

Valsa: Já em São Paulo, onde passamos a viver após o ingresso na universidade, realizamos alguns eventos, festas, feiras, vídeos, blog com outros amigos. O coletivo já tinha o nome VALSA. Seguimos nossos outros projetos e por coincidência, nesse momento da vida, nos reencontramos em Lisboa. Marina sempre quis fazer algo relacionado à alimentos e bebidas e Nika algo com cultura. Juntamos as vontades e criamos um lugar “físico” para o VALSA, que hibernou por alguns anos.

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Nós: Como e porque o nome “Valsa”?

Valsa: A verdade é que não nos lembramos muito do momento da escolha do nome – nos tempos do coletivo. Mas Valsa é um substantivo feminino, curto, fácil, com um sentido artístico e cultural intrínseco, que remete à movimento entre outras coisas. Funciona. Não poderíamos escolher outro nome.

Nós: Quais as características diferenciadoras deste conceito e deste espaço?

Valsa: Não sei se isso de fato existe, já que ainda nem descobrimos o que somos. Posso dizer que oferecemos atividades culturais gratuitas para todos os públicos, num lugar esquisito, cheio de plantas, que mais parece um clube privado italiano do fim dos anos 70, com um snack-bar que serve petiscos simples, mas com bons produtos. Nos preocupamos muito com a representatividade, de mulheres, principalmente, e isso sempre está em pauta nas nossas decisões. Os preços também são justos, para bons produtos, mas para que todos possam ter acesso.

Nós: A localização do espaço foi alvo de algum estudo ou apenas aconteceu?

Valsa: Queríamos estar próximo do “fervo”, mas não dentro dele. Estamos perto da Graça, dos Anjos, do Intendente, bairros já conhecidos pela oferta cultural, mas não estamos necessariamente neles. A Penha de França ainda é um bairro residencial tradicional e valorizamos isso. Trazer alternativas culturais aos moradores do bairro. A escolha também veio no momento em que vimos essa montra gigantesca e conhecemos a vista “alternativa” do miradouro da Penha de França, que está a menos de 200 metros de nós.

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Nós: É um espaço com uma agenda cultural “viva”. Quais as áreas que se desenvolvem na Valsa?

Valsa: Não temos limites e estamos abertas ao que vier, se interessar a comunidade e não fomentar nenhum tipo de preconceito ou discriminação. Aqui trabalhamos com inclusão e senso coletivo! Faz quase 2 meses que abrimos. Até hoje, fizemos eventos de cinema, música, comida, poesia, tatuagem, cerveja, entre outros.

Nós: Quais as parcerias envolvidas neste projeto?

Valsa: Nossos maiores parceiros são: a mercearia Comida Independente, a Micropadaria e as editoras musicais Flur, Cafetra e Lovers & Lollypops e a cerveja MUSA. Mas temos outros mil parceiros que trabalham conosco nos eventos, na parte criativa, vendas, divulgação, programação etc.

Nós: Pode-se afirmar que este novo espaço é já um sucesso na praça lisboeta?

Valsa: Acho que ainda não. Mas tomara que em breve 🙂

Nós: Que tipo de petiscos os clientes podem saborear?

Valsa: Tábuas de queijos e enchidos e algumas tostas, com produtos de pequenos produtores portugueses. E Bebidas? Vinhos naturais, cervejas artesanais, café de torra clara da etiópia (método filtrado ou aeropress), chás finos, sumos etc.

Nós: Têm alguma preocupação específica quando adquirem e preparam os petiscos?

Valsa: Não sei se entendi a pergunta. Mas a nossa preocupação sempre foi trabalhar com produtores pequenos e com bons ingredientes, isso significa, com o processo mais artesanal possível.

Nós: Quais as vossas perspectivas futuras?

Valsa: Boa pergunta. Acho que sermos reconhecidas pelo que fazemos. E ser um lugar onde as pessoas querem vir sempre, seja para tomar um copo, trabalhar, participar de uma atividade, ler, ou simplesmente conviver.

 

Nós: Querem deixar algum apelo aos nossos leitores?

Valsa: Venham ao VALSA, que é para todo mundo!

 

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