Chás, infusões e especiarias

“…este mundo fascinante que é o da fitoterapia, da degustação de chás e infusões e adoramos comer e cozinhar, daí as especiarias e misturas para culinária…”

O mundo das feiras e mercados é tão amplo! Aqui tudo pode acontecer! dependendo da vontade do freguês e dos feirantes, com uma diversidade imensa de produtos, podem fazer-se boas compras, às vezes descobrem-se umas pechinchas e aproveita-se o passeio para um franco e animado convívio com pessoas diversas, conversadoras, simpáticas e com muitas histórias vividas e contadas, em plena rua – ao ar livre!

Ao longo de todo o ano, mas em especial nesta época, em que o tempo convida a passeios pela rua, há imensas oportunidades de “ir à feira”. Elas proliferam pela periferia ou nas grandes praças da cidade, umas semanais outras mensais e ainda outras temporárias – as temáticas. São lugares onde os gestos do comércio tradicional ainda se mantêm vivos, onde se pode encontrar de tudo, quer sejam: produtos hortícolas frescos e biológicos, roupa nova ou em 2ª mão e baratinha, artesanato, ou aquele objeto vintage para a sua decoração com clima do passado, uma variedade de outras coisas à nossa disposição.

Nesse domingo decorria a Lx Factory Rural-Market Lovers, uma feira de usados com um cunho “cool e trendy” é um dos mercados alternativos mais popular de Lisboa, parámos à conversa com Sofia e Pedro, um casal simpático, que nos habituais passeios domingueiros pelas feiras tradicionais de artesanato e agricultura, os encontro regularmente, sempre com a sua banca de chás, infusões e especiarias.

Pela tradição das feiras, pelo sabor e benefícios para o nosso bem-estar que o chá nos proporciona, pedimos o testemunho a este simpático casal, que aqui partilhamos para si.

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Nós: Este vosso percurso profissional é recente? Querem contar um pouco a vossa história? Especializaram-se nesta área e por isso decidiram abraçar este mundo imenso dos chás e das especiarias?

Sofia e Pedro: Nós fomos (e somos) designers gráficos na área editorial, mas por razões como a decadência da imprensa, a desvalorização da experiência no meio profissional ou empresarial, começámos a necessitar de fazer outras coisas. Foi uma busca longa e muito variada nas experiências, desde fazer presunto e queijo em casa porque não queríamos consumir os químicos utilizados pela indústria, à construção de um tear artesanal de 4 pentes (já de uma dimensão considerável) e aprendizagem de como fiar e tecer lã à mão. Ou seja, disparámos em várias direções, até chegarmos “às ervas”, como nós nos referimos ao nosso projeto. O avô da Sofia foi ervanário, ainda temos as receitas das misturas medicinais dele, e o irmão do Pedro é médico de Naturopatia, Medicina tradicional chinesa, fitoterapia, homeopatia e acumpuntura, pelo que sempre estivemos rodeados por este mundo fascinante que é o da fitoterapia, da degustação de chás e infusões e adoramos comer e cozinhar, daí as especiarias e misturas para culinária que estamos sempre a desenvolver.

Nós: O que é uma infusão?

Sofia e Pedro: Uma infusão é um processo de fabricar bebidas em que se colocam os ingredientes em água quente ou fria. Em relação às ervas, todas as bebidas são infusões, menos as que são feitas com a planta do Chá (Camellia sinensis), mais conhecida sob a forma de chá branco, amarelo, verde, preto ou vermelho.

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Nós: Consideram que as vossas misturas e combinações são mezinhas (remédios caseiros)?

Sofia e Pedro: O termo “mezinhas” é, infelizmente, negativamente associado a remédios feitos sem conhecimento. No entanto, a sabedoria popular, que durante várias décadas foi desprezado e praticamente esquecido contém muitas verdades, hoje cientificamente testadas e comprovadas. As nossas misturas são fruto do conhecimento do médico que trabalha connosco e consulta de muita bibliografia com ensaios clínicos e com plantas aprovadas pela Comissão E alemã. Toda esta bibliografia provém de autores da área das ciências, química, medicina, principalmente de farmacêuticos.

Nós: Foi fácil a aprendizagem para fazer as misturas e combinações, ou tem algum especialista a ajudar? Quem por norma as prepara? Testam as vossas combinações? Têm provadores?

Sofia e Pedro: A aprendizagem só é fácil na medida em que gostamos muito do que fazemos, mas obriga a uma atualização constante e uma busca contínua de fontes fidedignas. Quem prepara as misturas somos nós, sempre depois de as discutirmos com o médico que colabora connosco. Provamos sempre todas as misturas, medicinais ou não, antes de as colocarmos à venda, daí avisarmos sempre os clientes quando uma delas é particularmente difícil de beber, como as que contêm alcachofra, por exemplo.

Nós: Como conseguem ajudar as pessoas que se aproximam da vossa banca e apresentam os seus problemas, tendo em atenção que os produtos naturais devem ser usados com algum cuidado, por pessoas com alguns problemas de saúde, como por exemplo tensão alta? Sentem-se à vontade para aconselhar sem receios? Quem usa os vossos chás já vos tem dado feed-back?

Sofia e Pedro: Claro que os produtos naturais devem ser usados com cuidado, mas não com mais cuidado do que todos os químicos que por aí circulam, seja na medicina, na alimentação, na cosmética ou na limpeza. Há medicamentos químicos, cujos possíveis efeitos secundários são os sintomas para os quais são indicados, já para não falar de outros efeitos bem nefastos, o que não significa que não tenha de se recorrer a estes de vez em quando.

Nós só nos sentimos à vontade para aconselhar nos casos mais simples, sempre dizendo às pessoas que devem consultar um médico para complementar os tratamentos com medicamentos, naturais ou não, e até com a alimentação. Dizemos sempre às pessoas que não somos médicos e não os queremos substituir.

O feed-back que temos dos clientes é na sua grande maioria muito positivo. Claro que há casos em que as misturas não resultam, dou o exemplo do Rooibos em que uma das suas propriedades é ser anti-histamínico e, no entanto já me apareceram 2 pessoas que são alérgicas a esta planta. Cada corpo é um corpo e isso não possível contornar.

Nós: Há todo um ritual para se fazer um chá corretamente para se obter uma bebida perfeitamente deliciosa e de qualidade? Como por exemplo a temperatura da água, o armazenamento das ervas e folhas, etc? Querem dar-nos alguns conselhos?

Sofia e Pedro: Um dos conselhos que as pessoas, principalmente as mais velhas, estranham sempre é de que não devem ferver as ervas (salvo raras exceções), deve sim utilizar-se água fervida, daí o nome infusão. O armazenamento das ervas deve ser feito preferencialmente em vidro, fechado hermeticamente e fora da luz. Nestas condições podem armazenar-se quase todas as plantas durante 1 a 2 anos.

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Nós: Pode dar-nos um exemplo de um chá para beber quentinho, geladinho e que seja uma vossa última inovação?

Sofia e Pedro: Isso depende muito dos gostos de cada um. Das plantas simples às misturas mais aromáticas temos mais de 100. Dos clássicos como a Erva Príncipe, lucialima, cidreira aos mais arrojados como Chocolate picante, cacau-jasmim, passando pelo hibisco … Há também clientes que compram as ervas em separado e fazem as suas próprias misturas. O hibisco é muito popular bebido fresquinho, por exemplo.

Nós: Para além de venderem os vossos produtos nas feiras, também vendem online. Como se podem encomendar e se existem custos associados? Tem algum local fixo onde as pessoas se possam dirigir?

Sofia e Pedro: As feiras e mercados que fazemos vamos anunciando na nossa página do facebook, que é onde as pessoas podem pedir o nosso catálogo e encomenda online. Para encomendas até €20, os portes de envio, que são por conta do cliente, ficam em €2 até 500g, para encomendas superiores oferecemos os portes.

Nós: Sofia e Pedro têm uma oferta variada de misturas medicinais e ervas aromáticas e frescas cujas cores e aromas despertam todos os nossos sentidos. O que sentem quando as pessoas se abeiram da banca e assinalam isso mesmo? Sentem orgulho no vosso trabalho?

Sofia e Pedro: Orgulho e reconhecimento. Já tivemos clientes na banca que percebem muito mais de plantas do que nós, tanto da área fitoterapêutica como da culinária, que voltam sempre porque reconhecem a qualidade dos nossos produtos e que acabam sempre por nos ensinar muita coisa e, normalmente, deixam-nos sempre com desafios para ultrapassar, como descobrir uma planta para determinado problema ou uma mistura de especiarias de que nunca ouvimos falar e que queremos sempre experimentar fazer. As gerações mais novas estão também muito interessadas em usar as plantas para viverem melhor seja na prevenção de doenças ou na alimentação. É sempre muito interessante e gratificante.

 

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Barcelos e o Galo

A cidade de Barcelos, sua gastronomia e seus produtos artesanais nativos, tão típicos e criativos, o “Galo de Barcelos” que se tornou num símbolo da cidade, da região, do país e faz o deleite dos turista

Num país constituído por várias regiões tão diversificadas e únicas nas suas paisagens, costumes e gastronomia, vamos hoje situar-nos no Minho. O Minho constitui um território português virado para o Atlântico, caracterizado pelo verde da vegetação, própria de um clima frio e húmido que se aproxima, um pouco, do Norte da Europa.

Neste território onde se situa a cidade que viu nascer Portugal, Guimarães, existem inúmeros locais, produtos de artesanato, gastronomia e o tão especial vinho verde, romarias e outros, que são ímpares e merecem ser apreciados e documentados mais detalhadamente. No entanto, hoje queremos falar-lhe de Barcelos e de um dos seus produtos artesanais nativos, tão típicos e criativos, o “Galo de Barcelos” que se tornou num símbolo da cidade, da região, do país e faz o deleite dos turistas. Na sua origem e durante largos anos, a tradição originou a produção de “Galos de Barcelos” muito idênticos. Hoje em dia, o “Galo” tem vindo a ganhar novas formas e cores como resultado da inspiração de artesãos contemporâneos que foram diferenciando adequando-a a um gosto mais atual e voltado aos turistas.

Visite a cidade de Barcelos e toda a sua envolvente de uma beleza única, com inúmeros monumentos que nos transportam para os tempos da origem do nosso país. A tradicional hospitalidade das pessoas e a sua gastronomia rica, fazem deste local um sítio de destaque que merece ser visitado. É este conjunto de monumentos e cultura tão genuína que fazem de nós o país que somos hoje e que está a maravilhar um grande número de turistas.

A propósito do objeto de artesanato “O Galo de Barcelos”, durante a visita à região e à cidade garantimos que é impossível não resistir aos sabores da gastronomia tradicional muito rica e variada desde os doces aos pratos de rojões, bacalhau, papas de sarrabulho, e a um dos principais pratos tradicionais de Barcelos um delicioso “galo assado à moda de Barcelos” acompanhados de um excelente vinho verde da região. Este prato possui uma forte ligação à Lenda do Galo de Barcelos que pode ler aqui.