Feijoada de Seitan à Hucilluc

Uma alimentação equilibrada, variada e completa, é fundamental para a saúde promovendo o nosso bem-estar geral.

Como é fácil fazer uma alimentação saudável! Mas nem sempre nos lembramos disso, confesso que nem sempre fui cuidadosa com a minha alimentação e por vezes fui até relutante em experimentar coisas novas.

Mas a idade tudo ensina e este verão numa “visita” ao hospital por causa de uma intensa dor na zona lombar que me impedia os movimentos foi-me diagnosticada a diabetes, que como sabem é uma doença crónica por insuficiência de insulina, a glicose permanece no sangue e pode causar danos em muitos tecidos do organismo. Na verdade tive todos os sintomas mas não lhes dei a importância devida, a saber: urinar em grande quantidade e mais vezes, sede constante e imensa, boca seca, fome constante, cansaço e visão turva.

Tudo se conjugava para aderir às recomendações dos médicos e fazer uma dieta equilibrada, variada e completa: não ingerir gorduras saturadas – fritos, queijo, manteiga optar por gorduras monoinsaturadas (azeite) e polinsaturadas (salmão e cavala), reduzir a ingestão de sal, fibras, como por exemplo, pão de mistura ou centeio, lentilhas, aveia, ervilhas, grão entre outros, frutas (3 a 5 porções de frutas) e legumes, 1,5 a 2 litros de água por dia e cerca de 150 minutos de exercício físico por semana.

A minha filha e o meu marido sendo adeptos de uma alimentação saudável convidaram-me para um almoço buffet vegetariano. Finalmente comi seitan, tipo jardineira, com legumes. Não desgostei mas faltava o meu tempero, a minha mão e assim decidi recriar e fazer uma feijoada de seitan, porque não?! Receita muito simples de fazer e em jeito de agradecimento às minhas amigas, que me deram muita força e muitos mimos Aqui e Ali fica a receita da Feijoada de Seitan à Hucilluc!

seitan celeiroImagem do site do Celeiro em: https://www.celeiro.pt/cuide-de-si/temas-de-saude/seitan

Ingredientes:

  • 250g de seitan
  • 1 couve coração
  • 2 nabos
  • 1 lata de feijão branco
  • 1 lata de tomate pelado
  • 2 copos vinho branco
  • 1 cebola
  • 3 dentes de alhos
  • Caril q.b.
  • Louro, sal, pimenta preta moída, piripiri q.b.
  • Salsa ou coentros picados

Preparação:

Cortar o seitan às tiras, temperar com sal, caril, pimenta, regar com um copo de vinho branco e deixar a marinar cerca de 30 minutos.

Fazer um refogado em azeite com cebola e alho. Quando a cebola se apresentar macia e transparente acrescenta-se o tomate, louro e por fim o copo de vinho branco. Temperar a gosto com sal, pimenta e piripiri. Adicionar o feijão branco e deixar refogar em lume brando. Entretanto enquanto a couve coração e os nabos estão a cozer frita-se o seitan num fio de azeite, vão-se virando as tiras até ficarem douradinhas e finalmente acrescenta-se a marinada, deixar apurar e juntar à feijoada.

De seguida colocar as couves cozidas, os nabos cortados aos quadradinhos e uma concha da água das couves à mistura e envolver bem. Fica a apurar um bocadinho e retifica-se os temperos. Retirar do lume e adicionar salsa picada ou coentros e depois é comer e chorar por mais.

Acompanhei com beterraba e rebentos de feijão mongu de vinagrete  fresquinhos.

Espero que gostem desta aventura na cozinha e se atrevam a fazer mesmo com outros ingredientes (courgete, chuchu…), os que tiverem na dispensa ou no frigorífico. A imaginação essa é sua, introduza o seitan na sua alimentação diária e sinta os seus benefícios.

Mas o que é o Seitan? É a partir do trigo que se fabrica o seitan. É um ótimo substituto da carne. É rico em proteínas, possui um teor baixo em gorduras (sem gorduras saturadas nem colesterol). Possui ainda algumas vitaminas e minerais. Atenção: os celíacos não o devem ingerir, já que não toleram o glúten.

Bom apetite!

 

 

 

 

 

 

 

 

Valsa – Associação onde se valsa e se abraça arte

Na Valsa “…oferecemos atividades culturais gratuitas para todos os públicos, num lugar esquisito, cheio de plantas, que mais parece um clube privado italiano do fim dos anos 70”

Em Lisboa nasceu uma nova Associação Cultural, a Valsa, no sítio da Penha de França! A fotografia das duas jovens sorridentes, com um o ar de quem, com boa disposição, está inspirado com a vida, é de Nuno Pinto Fernandes, para a revista Evasões e foi-nos cedida pela Associação Valsa.

Marina Oliveira e a amiga Mariana Serafim voaram de São Paulo para Portugal e lançaram-se neste projeto. Um espaço multifacetado que oferece bebidas e petiscos, mas também uma loja de livros e discos e uma agenda cultural mensal, onde se pode dançar a valsa e não só! Pode escutar discos, assistir a uma sessão de cinema, deliciar-se com todo o tipo de workshops realizados ali mesmo e ainda mais… Mas, nada melhor que as próprias, para nos darem nota de que, a inspiração surge em todas as idades, que os sonhos vividos devem ser partilhados para inspirar quem ainda não sabe que sonha. Todos juntos, somos melhores e podemos, em consciência, colocar os sonhos em evidência e ajudar na concretização da felicidade individual e coletiva.

Walt Disney afirmou “Se você consegue sonhar algo, consegue realizá-lo!”. Aqui fica o testemunho destas duas jovens na palavra escrita.

Leia, leve e inspire-se …. Realize e Valse!

 

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Nós: Quem são a Marina Oliveira e a Mariana Serafim? Como se apresentam?

Valsa: Ambas nascemos em Santos, litoral de São Paulo e nos conhecemos/brincávamos juntas em encontros de amigos dos nossos pais, quando tínhamos por volta de 10 anos de idade. Alguns anos depois, nos reencontramos no conservatório de música (Marina estudando guitarra e Nika, como sou conhecida, baixo). Tivemos uma banda juntas por alguns anos e de aí por diante fizemos parte do mesmo grupo próximo de amigos. Marina estudou arquitetura, mas sempre trabalhou com urbanismo. Veio para Portugal fazer um mestrado em urbanismo sustentável. Nika é formada em hotelaria e teve a sua carreira construída nesta área, mas além disso também estudou Produção Musical e Produção Cultural.

Nós: Como nasceu esta associação cultural? Foi um sonho concretizado no imediato?

Valsa: Já em São Paulo, onde passamos a viver após o ingresso na universidade, realizamos alguns eventos, festas, feiras, vídeos, blog com outros amigos. O coletivo já tinha o nome VALSA. Seguimos nossos outros projetos e por coincidência, nesse momento da vida, nos reencontramos em Lisboa. Marina sempre quis fazer algo relacionado à alimentos e bebidas e Nika algo com cultura. Juntamos as vontades e criamos um lugar “físico” para o VALSA, que hibernou por alguns anos.

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Nós: Como e porque o nome “Valsa”?

Valsa: A verdade é que não nos lembramos muito do momento da escolha do nome – nos tempos do coletivo. Mas Valsa é um substantivo feminino, curto, fácil, com um sentido artístico e cultural intrínseco, que remete à movimento entre outras coisas. Funciona. Não poderíamos escolher outro nome.

Nós: Quais as características diferenciadoras deste conceito e deste espaço?

Valsa: Não sei se isso de fato existe, já que ainda nem descobrimos o que somos. Posso dizer que oferecemos atividades culturais gratuitas para todos os públicos, num lugar esquisito, cheio de plantas, que mais parece um clube privado italiano do fim dos anos 70, com um snack-bar que serve petiscos simples, mas com bons produtos. Nos preocupamos muito com a representatividade, de mulheres, principalmente, e isso sempre está em pauta nas nossas decisões. Os preços também são justos, para bons produtos, mas para que todos possam ter acesso.

Nós: A localização do espaço foi alvo de algum estudo ou apenas aconteceu?

Valsa: Queríamos estar próximo do “fervo”, mas não dentro dele. Estamos perto da Graça, dos Anjos, do Intendente, bairros já conhecidos pela oferta cultural, mas não estamos necessariamente neles. A Penha de França ainda é um bairro residencial tradicional e valorizamos isso. Trazer alternativas culturais aos moradores do bairro. A escolha também veio no momento em que vimos essa montra gigantesca e conhecemos a vista “alternativa” do miradouro da Penha de França, que está a menos de 200 metros de nós.

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Nós: É um espaço com uma agenda cultural “viva”. Quais as áreas que se desenvolvem na Valsa?

Valsa: Não temos limites e estamos abertas ao que vier, se interessar a comunidade e não fomentar nenhum tipo de preconceito ou discriminação. Aqui trabalhamos com inclusão e senso coletivo! Faz quase 2 meses que abrimos. Até hoje, fizemos eventos de cinema, música, comida, poesia, tatuagem, cerveja, entre outros.

Nós: Quais as parcerias envolvidas neste projeto?

Valsa: Nossos maiores parceiros são: a mercearia Comida Independente, a Micropadaria e as editoras musicais Flur, Cafetra e Lovers & Lollypops e a cerveja MUSA. Mas temos outros mil parceiros que trabalham conosco nos eventos, na parte criativa, vendas, divulgação, programação etc.

Nós: Pode-se afirmar que este novo espaço é já um sucesso na praça lisboeta?

Valsa: Acho que ainda não. Mas tomara que em breve 🙂

Nós: Que tipo de petiscos os clientes podem saborear?

Valsa: Tábuas de queijos e enchidos e algumas tostas, com produtos de pequenos produtores portugueses. E Bebidas? Vinhos naturais, cervejas artesanais, café de torra clara da etiópia (método filtrado ou aeropress), chás finos, sumos etc.

Nós: Têm alguma preocupação específica quando adquirem e preparam os petiscos?

Valsa: Não sei se entendi a pergunta. Mas a nossa preocupação sempre foi trabalhar com produtores pequenos e com bons ingredientes, isso significa, com o processo mais artesanal possível.

Nós: Quais as vossas perspectivas futuras?

Valsa: Boa pergunta. Acho que sermos reconhecidas pelo que fazemos. E ser um lugar onde as pessoas querem vir sempre, seja para tomar um copo, trabalhar, participar de uma atividade, ler, ou simplesmente conviver.

 

Nós: Querem deixar algum apelo aos nossos leitores?

Valsa: Venham ao VALSA, que é para todo mundo!

 

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À conversa com Daniela Ricardo, a Chef na cozinha com amor

O livro “Cozinhar com Amor” de Daniela Ricardo, é um dos vencedores dos Gourmand Awards deste ano, na categoria receitas caseiras fáceis. A autora acredita no poder do amor e acredita que cozinhar, e tudo o que envolve a alimentação, é provido de uma grande dose de amor.

A Chef Daniela Ricardo vence concurso na categoria de receitas caseiras fáceis (Easy Home Recipes), do Gourmand World Awards. Damos os parabéns por tão prestigiante prémio! Uma conquista que, sem dúvida, engrandece o seu palmarés e valoriza um trabalho dedicado com tanto amor à cozinha.

Daniela Ricardo é chef, professora e consultora de alimentação consciente e natural, um testemunho de uma vida com sucesso que queremos, sem dúvida, partilhar consigo. Aqui fica a conversa escrita. Leia, leve e inspire-se… A magia acontece e o sonho concretiza-se!

Eu que nunca tinha imaginado escrever um livro, já escrevi dois. Não sabia sequer da existência dos Gourmand Awards, já ganhei um. Tudo o que posso dizer é que a vida é mágica quando vivemos em fluxo. A vida é mágica quando somos autênticos e fazemos o que nos apaixona.

 `Cozinhar com Amor´

 O Amor é a base de tudo e o amor nas suas múltiplas facetas é a energia mais poderosa do universo. …. Acredito que comer é um gesto de amor-próprio importantíssimo, que mostra ao universo e a nós próprios o quanto nos amamos.”

cozinha com amor

 

Nós: Quem é a Daniela Ricardo, mulher? E a Chef Ricardo?

Daniela Ricardo: A Daniela Ricardo mulher e chef, são a mesma pessoa. Eu mesma, pois são indissociáveis e coincidem porque faço aquilo que me apaixona, o que me faz vibrar, o que me faz sentido. A minha intensão é mostrar que a alimentação tem um papel fundamental nas nossas vidas e que ela influência muito mais do que parece.

O meu currículo de uma forma muito sintética é que fui Enfermeira durante 20 anos (1997-2017), no IPO do Porto, na área da transplantação de medula óssea. Sou terapeuta de Shiatsu algo que estudei com o intuito de o aplicar na minha área profissional. Mais tarde formei-me como Professora e Consultora de Macrobiótica. Sou apaixonada pela cozinha, adoro cozinhar e ensinar quem comigo quer aprender a alquimia do alimento como cura, ou apenas como prazer sensorial.

Sou apaixonada pelo Mundo e por conhecer novos lugares. Organizo viagens e retiros juntamente com o meu marido Luís Baião, através da Zen family. Já cozinhei um pouco por todo o mundo e adoro a ideia de levar cada vez mais pessoas a adotarem um estilo de vida saudável e consciente, que contribua tanto para o seu bem-estar físico, como para o equilíbrio e sustentabilidade do planeta.

Sou autora dos Livros “Viagens da Comida Saudável” e “Cozinhar com Amor”, este último, tal como já referiram vencedor de um Gourmand Cookbook Award este ano.

Nós: A sua atividade profissional como enfermeira na área da oncologia teve influência na decisão de mergulhar no mundo dos alimentos?

Daniela Ricardo: Sim, a minha atividade profissional teve influência, uma vez que o que me despertou para um novo mundo e uma nova visão da saúde foi ter-me tornado primeiramente terapeuta de shiatsu, para ajudar os meus clientes no hospital e mais tarde ter percebido que através das nossas escolhas alimentares estamos a alimentar o nosso organismo no caminho de mais ou menos saúde, dependendo das escolhas que fazemos, claro.

Nós: Fez alguma formação específica na área da alimentação saudável ou é autodidata?

Daniela Ricardo: Fiz o Curso de Curricular de Macrobiótica, há 15 anos atrás, que é um curso de 3 anos e que aborda muito mais do que apenas a alimentação e nos deixa credenciados para ser consultores de alimentação macrobiótica e estilo de vida. Fiz, entretanto, vários outros cursos de nutrição e alimentação na Stanford University. Além do estudo pessoal, que é algo que temos que ter sempre presente e ser constante.

Nós: O que é o Gourmand World Cookbook Awards?

Daniela Ricardo: Os Gourmand World Cookbook Awards é um concurso que elege os melhores livros, revistas, programas televisivos ou blogs de culinária de cada ano. Os Gourmand World Cookbook Awards foram criados há 23 anos por Edouard Cointreau e participam neste prestigiado prémio, que é a única competição internacional do setor, livros de mais de 200 países. Esta iniciativa elege os melhores na gastronomia em dezenas de categorias, organizadas por autores, editoras, países, lifestyle, temas (peixe, pão, vegetarianas, receitas fáceis, etc.) e angariação de fundos.

Todos os anos, Gourmand entrega os prémios num lugar muito especial para a gastronomia, este ano foi em Yantai, na China. A cerimónia foi uma oportunidade para encontrar muitas pessoas importantes no mundo da alimentação e dos livros: centenas de editoras, autores, chefs e jornalistas que participaram neste evento. Os Gourmand Awards têm sido comparados aos “Óscares” para a alimentação e inspiram-se nos Jogos Olímpicos e no seu espírito.

Gourmand Awards Winner

Nós: O que significa para si receber esta distinção? Estava à espera ou não pensou nisso?

Daniela Ricardo: Receber esta distinção é para mim muito prestigiante e um reconhecimento do meu trabalho.

Estou muito feliz, por o meu livro “Cozinhar com Amor” ser um dos melhores livros do mundo. É um dos vencedores dos Gourmand Awards deste ano, na categoria receitas caseiras fáceis.

Eu que nunca tinha imaginado escrever um livro, já escrevi dois. Não sabia sequer da existência dos Gourmand Awards, já ganhei um. Tudo o que posso dizer é que a vida é mágica quando vivemos em fluxo. A vida é mágica quando somos autênticos e fazemos o que nos apaixona.

 

viagens de comida saudávelNós: Como surge a ideia do livro “Viagens da comida saudável”?

Daniela Ricardo: A ideia do Livro “Viagens da Comida Saudável” surgiu em viagem, nas várias viagens que faço pelo mundo com a Zen Family, em países como Brasil, Nepal, India, Cambodja, Vietnam, Perú, Tailândia e até mesmo o nosso Portugal, e que me possibilita ir aprender com essas novas culturas para mim, novas receitas, novas formas de nos nutrirmos. Então, ainda em viagem dei por mim a ajustar a as receitas para as fazer em Portugal com alimentos locais, sazonais, biológicos e sem alguns produtos que considero menos benéficos e dispensáveis para o nosso organismo. Dei por mim a estudar o que era a alimentação tradicional dessas culturas e como seria uma alimentação mais consciente e natural, dessas mesmas culturas. E assim surgiu, primeiro apenas como curiosidade pessoal que depois tomou forma de livro, para partilhar com todos e estimular a uma alimentação saudável através de sabores do mundo, com produtos nossos.

Nós: É adepta da alimentação macrobiótica?

Daniela Ricardo: Partindo do principio que a alimentação macrobiótica nada proíbe, que coloca enfase no consumo de alimentos preferencialmente de origem vegetal (como vegetais, leguminosas e cereais integrais), locais, sazonais, biológicos, o mais integro possíveis, sem aditivos químicos e que tem em consideração o nosso estilo de vida, a nossa idade e a nossa condição física, sim. Sou adepta da alimentação macrobiótica.

Nós: Recentemente publica um outro livro cujo título é muito sugestivo. Foi por paixão que escreveu este seu livro de receitas fáceis – “Cozinhar com Amor”?

Daniela Ricardo: Foi por paixão e para incentivar mais pessoas a adotar uma forma de comer mais consciente e natural. Comer é um ato de amor connosco e com os outros. O Amor é a base de tudo e o amor nas suas múltiplas facetas é a energia mais poderosa do universo. Eu acredito nisso mesmo e acredito que cozinhar, e tudo o que envolve a alimentação, é provido de uma grande dose de amor. Acredito que comer é um gesto de amor-próprio importantíssimo, que mostra ao universo e a nós próprios o quanto nos amamos. A minha intenção é mostrar que o ato de comer é mais do que ingerir macronutrientes, mas que através deles podemos ingerir energias subtis e transformar as nossas vidas e a de todos os que nos rodeiam através das escolhas que fazemos.

Nós: Quando e como decidiu escrever este livro “Cozinhar com amor”? Porquê receitas fáceis? Tinha algum objetivo em mente?

Daniela Ricardo: Quando decidi escrever este livro, o meu objetivo foi mostrar que qualquer pessoa pode fazer coisas deliciosas e saudáveis, seja qual for o seu papel social. Este livro mostra uma forma de alimentação que não é apenas uma dieta, mas sim um estilo de vida.

Existem várias formas de nos alimentarmos de forma saudável e equilibrada, devemos escolher aquele que faz ressonância connosco e que faz mais sentido para cada um de nós. Seja qual for o regime alimentar que opta, é importante que ele seja sustentável, que promova a biodiversidade tanto animal como vegetal. Isso é comer com consciência, de que estamos a contribuir para um todo. O todo é bem mais do que o mundo que conhecemos.

Escolhi receitas fáceis, para que não exista a desculpa de que é difícil, que não é exequível e escolhi para participar neste livro amigos que partilham a minha visão da vida e que transformaram as suas vidas também através da forma como se nutriam. Todos eles com papeis sociais intensos e que deixam sem argumentos todos aqueles que têm como desculpa o estilo das suas vidas.

Os amigos que convidei para participarem neste livro foram a Fátima Lopes porque é notório na sua vida a preocupação com a alimentação e hábitos de vida saudáveis, pretendendo que esta seja sempre o mais natural e equilibrada possível mesmo tendo uma vida super agitada como acontece no mundo da televisão. A Geninha Varatojo, que mudou os seus hábitos há muitos anos atrás, fazendo disso o seu modo de vida e até de subsistência. Criou 4 filhos com hábitos conscientes e naturais tendo por base a filosofia macrobiótica e é fundadora do Instituto Macrobiótico de Portugal com o marido – O Francisco Varatojo – onde inspiram tantas pessoas a terem uma alimentação mais cuidada, como me inspirou a mim. A Rute Caldeira que já tinha percebido que existem várias formas de nos alimentarmos e que consegui autênticos milagres através da sua “Dieta Espiritual” e que consolidou e conseguiu os resultados que faltavam associando a alimentação após ter feito uma consulta comigo. O Luís Baião, que é meu marido, por ter assimilado os conhecimentos que adquiriu através da Macrobiótica para se curar de uma doença oncológica e o conseguir integrar no seu dia-a-dia mesmo quando está em viagem. O Pedro Norton de Matos que depois de uma vida empresarial intensa teve uma epifania, como ele mesmo descreve, e mudou os seus hábitos. E o Alexandre Gama, um querido amigo especialista na área do Feng Shui, que nos mostra que esta disciplina não se aplica apenas à casa, mas que se pode aplicar a todas as áreas da nossa vida, incluindo à da alimentação.

Além de tudo isto e como tudo o que fazemos conta, criamos uma coleção de loiça orgânica em parceria, surgindo assim a loiça aBiofamily by Barru inspirada nas viagens e que possibilitou tornar o nosso livro mais orgânico. Tudo desde a comida até ao prato onde comemos é consciente e natural, além de a loiça é absolutamente linda e consciente.

Nós: Fale-nos um pouco do projeto aBiofamily? Como surgiu? Que atividades exercem?

Daniela Ricardo: O projeto a aBiofamily  visa divulgar a Culinária e um Estilo de Vida Consciente e Natural, assim como levar todos os que a acompanham a sonhar e iniciarem viagens pelo Mundo, ainda que dos sabores. Este projeto surgiu porque deste que percebi o poder do alimento estive sempre ligada a atividades  e projetos que visam divulgar uma alimentação e estilo de vida saudáveis. Fui inclusive fundadora e co-directora do Instituto Macrobiótico de Portugal, no Porto.

Mantendo a minha vontade de contribuir ara um mundo mais saudável e sustentável, juntamente com o meu marido criamos a aBiofamily, que é uma extensão ou um ramo da Zen family. Isto porque encontramos uma forma de divulgar e estimular a hábitos de vida saudáveis através dos retiros e eventos que a Zen family organiza e dos quais faço parte e sou responsável pela área da alimentação como chef e como professora e consultora.

As atividades que a aBiofamily exerce  vai desde Consultas de orientação alimentar, palestras, showcooking, workshops e aulas individuais de alimentação consciente e natural, até aos retiros que incluem sempre a alimentação desta forma, 100% biológica e nos quais assumo o papel de chef, às viagens pelo mundo nas quais sensibilizo para a importância das nossas escolhas e eu mesmo faço as escolhas junto dos diversos chefs que conheço pelo mundo.

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Nós: Pode falar um pouco da parceria com o Projeto de viagens Zen Family?

Daniela Ricardo: Esta parceria está já explicada com a resposta anterior. Aliamos a vontade e o gosto de viajar pelo mundo e fazer eventos em Portugal, com a alimentação consciente e natural, mostrando mais uma vez que é sempre possível. Basta querermos e saber que escolhas fazer.

Nós: Quer deixar alguma mensagem ou sugestão específica aos nossos leitores?

Daniela Ricardo: A mensagem que mais gosto de deixar é um pouco provocativa. Que é:

Atrevam-se a ser diferentes. Vivam conscientes. Alimentem-se de uma forma consciente e natural. Lembrem-se que tudo o que comemos fará parte de nós de alguma forma, por esse motivo é deveras importante ter consciência do que comemos e como comemos. Comer e cozinhar são mesmo uma forma de amar.

Nós: E uma receita que possa inspirar vontades de fazer acontecer – Hum … Vou experimentar!

CHIPS DE BATATA-DOCE E BETERRABA.jpg

Daniela Ricardo: Claro que sim, aqui fica uma receita muito fácil e que todos adoram 

Chips de batata-doce e beterraba. Esta é uma boa escolha, não é?

As batatas-doces e as beterrabas ficam tão crocantes e saborosas cortadas às rodelas e levadas ao forno, que me fazem lembrar as batatas fritas de pacote, com o benefício de não serem fritas e por esse motivo sem óleo. São uma alternativa muito saudável que até os mais novos adoram.

Ingredientes:

  • 1 ou 2 Batata doce média
  • 1 beterraba média
  • Alho em pó
  • Tomilho seco
  • Sal marinho (opcional)

Lave muito bem as batatas e a beterraba. Seque-as com um pano. Corte-as rodelas finas com cerca de 2mm-3mm, com a ajuda de uma faca ou com outro utensílio que sirva para o efeito. Disponha as rodelas num tabuleiro de forno forrado com papel vegetal. Tempere com sal, alho em pó e tomilho seco.

Leve ao forno a 150º cerca de 20min (o tempo pode variar com forno). Passado este tempo vire as rodelas, volte a temperar e deixe cozinhar mais 15-20 minutos. Estão prontas quando estiverem secas e estaladiças.

Esta é uma receita do Livro “Cozinhar com Amor”, da minha autoria e vencedor do galardão de melhor livro do mundo, na categoria receitas caseiras fáceis, nos Gourmand Cookbook Awards de 2018.

 

Muito obrigada Daniela Ricardo! 

 

 

 

Hábitos de vida – “Comer para ser Feliz”!

Um dia de férias no início do ano em companhia da filha, dia de dar um passeio ao longo da costa do Guincho. Sempre que posso tenho por hábito dar um passeio para contemplar o mar, a areia e o sol a brilhar. De repente o tempo cinzento surge, olho para o céu e lá estão elas, as nuvens carregadas, como que a avisar está na hora de procurares outras paragens mais acolhedoras.

O tempo a pregar as suas partidas, como que a dizer vai, vai… O que fazer? O relógio do estômago indica que está na hora da paparoca. Estamos na zona do Guincho, onde ir? Ultimamente tenho abusado da “boca” e o estômago está queixoso. Lá dizia Hipócrates, o “pai da medicina ocidental” – Que seu remédio seja seu alimento! Logo uma alimentação equilibrada e saudável precisa-se.

De repente lembrei-me de uma conversa com uma amiga intolerante à lactose e que sofria de azia, refluxo e algumas cólicas, – não quero sentir-me assim não obrigada – e que me falou de um restaurante, o The Cru: Organic, Raw & Healthy Food, cujo lema é “Comer para Ser Feliz”, onde tudo era 100% saudável, só menus biológicos, 100% sem glúten, 100% sem lactose e 100% sem açúcar. E ainda tem uma mercearia especializada em produtos biológicos integrada no espaço, para além do take away, disse-me ela.

A minha curiosidade aliada à crescente vontade de comer justificava a minha ida até lá e experimentar coisas novas. Desafiei a filha com o mote a alimentação é tão importante quanto o ar que respiramos e partimos à descoberta, na expetativa de uma experiência agradável, rumo ao conceito de “fast food biológica”.

Comer para ser feliz, foi o que fizemos e nos sentimos, num ambiente acolhedor e simpático, com uma decoração simples mas bem elucidativa da mensagem que querem transmitir a quem por razões de saúde, ou por mera curiosidade, ou ainda por opção de vida, quer ou tem de mudar de hábitos e comportamentos alimentares.

Boa decisão. Vamos lá voltar, sem dúvida a repetir. Ficam aqui algumas fotos do que comemos, parece e é mesmo uma delícia!

A nossa escolha foi:

  • Creme de cenoura, nabo e coentros
  • Sumo de maça e acelga
  • Empadão de batata-doce c/legumes e acelga salteada
  • Pataniscas de bacalhau de batata-doce

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