A arte e as crianças no museu Coleção Berardo

O Museu Coleção Berardo em Belém, Lisboa, tem na sua agenda um Serviço Educativo com o envolvimento das escolas e das famílias de modo a permitir uma aproximação à arte para todos.

As mensagens educativas para todos e em especial para os mais novos, também se transmitem através da arte!

As sociedades mudam ao longo dos tempos. Essas mudanças podem testemunhar-se em vários tipos de objetos do património cultural, científico, artístico ou histórico e que se encontram patentes à sociedade em museus. Os museus ao exporem as suas coleções desempenham um papel relevante na sociedade, na educação, na cultura, no respeito pela diversidade cultural e, consequentemente, no desenvolvimento de uma sociedade mais harmoniosa.

O ensino artístico é uma área curricular essencial à Educação – a arte ensina-se e aprende-se. A arte é importante na vida da criança, a criatividade na vida da criança precisa de ser trabalhada, estimulada e desenvolvida e como se costuma dizer é “de pequenino que se torce o pepino”.

O Museu Coleção Berardo em Belém, Lisboa, ao ter na sua agenda um Serviço Educativo com o envolvimento das escolas e das famílias de modo a permitir uma aproximação à arte exposta nas suas coleções, cumpre este desígnio.

A igualdade de género faz parte da Agenda 2030, a Unesco defende uma abordagem abrangente e inclusiva na educação e livre de qualquer discriminação e “recomenda o desenvolvimento de currículos escolares inclusivos, que transformem impedimentos em oportunidades, além do estabelecimento de ambientes seguros, dentro e fora da escola, que favoreçam resultados de aprendizagem efetivos” (Rebeca Otero, da Unesco).

Através do Programa Envolver – Serviço Educativo Museu Coleção Berardo e a Exposição Projeto IDENTidades 2017-2020, com a parceria estabelecida com o Externato A Escolinha, desenvolve-se um projeto artístico educativo sob o tema “A Escolinha em Viagem para a Igualdade” trabalhando-se a temática do género junto de crianças do pré-escolar ao 4.º ano.

É um projeto que consideramos de extrema importância pois a igualdade de género é uma peça fundamental para ultrapassar os múltiplos desequilíbrios sociais que levam à discriminação e à exploração. Com este espírito de motivação para a ação por uma sociedade melhor, visitámos a Exposição Projeto IDENTidades – “A escolinha em Viagem para a Igualdade de Género” – inaugurada no dia 16 de junho 2018.  Desta visita, deixámos aqui alguns textos e imagens resultantes do trabalho realizado com as crianças, os artistas autores das obras expostas, e que observámos no museu.

O Museu é como se fosse uma escola, só que diferente, porque tem obras: estátuas, esculturas e pinturas. O Museu é adorável e misterioso

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Concordamos em absoluto: “O Museu é adorável e misterioso”

 

O Museu é o lugar que nos faz perceber como ter arte na nossa imaginação. Faz-nos ser criativos

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A criatividade é essencial e em todos os aspetos da vida pessoal e profissional

 

“O Museu foi uma experiência e fez-nos sentir verdadeiros e verdadeiras artistas”

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Cada um de nós é o artista principal na sua caminhada pela vida

 

Todas as pessoas, todos e todas as artistas pensam de maneira diferente, e é por isso que as artes são especiais. Só assim é que um ponto está exposto num Museu!

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A arte provoca-nos sensações ímpares

“Olhei para as obras e vi que há mais pintores do que pintoras, mas nos quadros há mais raparigas desenhadas: giras, elegantes, sobretudo bons modelos.”

 

O espírito feminino inspira artistas

 

As cores não têm género

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Não existem cores boas ou más nem masculinas ou femininas … 

 

“As obras que observámos não nos remeteram para o sexo dos ou das artistas”

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Todos somos iguais e todos somos diferentes

Se ainda não teve oportunidade de visitar a exposição recomendamos que não perca e vá! Se tem crianças leva-as também.

Crianças que participaram neste projeto e através da sua criatividade deram vida e construíram um mural artístico numa vivência Museu-Escolinha onde a reflexão em evidência é, nem mais nem menos que a igualdade de género.

Exposição de Maria Seruya “O Príncipe das Arábias no seu harém de Velhas Bonitonas”

Maria Seruya e as Velhas Bonitonas. “Ousamos ser quem queremos, sem complexos nem culpas”

Está a decorrer no espaço da Antiga Marcenaria do Museu da Carris, em Lisboa, um evento imperdível –  até dia 5 de junho – aprecie as obras expostas de Maria Seruya.

Em torno do tema do envelhecimento feminino e segundo o lema “Ousamos ser quem queremos, sem complexos nem culpas” a artista plástica, brinda-nos com um conjunto de Velhas Bonitonas que enlaçam um Velho Bonitão.

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De acordo com a artista, o projeto das “VELHAS BONITONAS” nasceu em 2016. Pretende despertar consciências sobre preconceitos associados ao envelhecimento, procurando retratar imagens que exprimem a liberdade de espírito, a força feminina que existe independente da idade mas que sai reforçada com as experiências vividas, a genuidade e a beleza que vai muito além das rugas visíveis.  

Quem são e de onde vêm estas Velhas e este Velho Bonitão?

Gosto de fazer transformação, pegar em ideias e faze-las como eu gosto, inspirar-me naquilo que me apetece, criar espontaneamente aquilo que parte de uma ideia ou de um olhar, algo que me inspire e a partir daí ACONTECE. Acontece naturalmente. Acontece espontaneamente e não estou interessada propriamente em contar uma história para estas mulheres, se tem 6 filhos, se é doutora, se é pintora, mas sim uma energia, uma emoção. Eu gosto de me relacionar com estas mulheres, olhar para elas e também sentir coisas enquanto estou a pintar.”

Tivemos o privilégio de conhecer pessoalmente Maria Seruya que nos fez uma visita guiada pela exposição.

Ficamos presas na sua voz e nas imagens que nos ia revelando, a sensibilidade que existe em Maria Seruya, vê-se nos olhos e em toda a expressão do seu corpo, sente-se a emoção que nos chega através dela e das obras expostas, envolve-nos e deixa em nós, um sentimento de agradável surpresa.

Na sequência das obras expostas cronologicamente, a artista mostra-nos desenhos de mulheres velhas e bonitonas como que a interagir entre si e a provocar o observador com a sua irreverência de ousarem ser o que querem.

Resultante de uma sua visita a Marrocos surge a inspiração, nas cores, nos trajes e ornamentos, em toda uma cultura muito própria, para a coleção das mulheres árabes.

Ainda em torno da beleza do corpo feminino surgem os desenhos de nus, mulheres despojadas de juventude que nos olham e nos questionam sobre o nosso entendimento do belo e exibem o poder da atitude.

Continuando a visita, a artista mostra-nos telas, em grande formato, para onde transportou as velhas bonitonas que mais gostava “Cada uma com a sua história, uma é sensual, outra … mas, eu gosto também de deixar as pessoas a pensar, a mim transmitem-me certas coisas, ideias, a outros coisas e ideias diferentes.”

Por fim, já com outro conhecimento, temos o Velho Bonitão com o qual nos tínhamos deparado logo à entrada. É um charmoso príncipe das Arábias! Como príncipe das Arábias, está no meio do seu harém e traz consigo a areia do Saara.

Deixamos nota de que: “Esta obra tem uma particularidade reverte a favor da Associação Cabelos Brancos – associação que luta contra a discriminação de idade e tem parceria de workshops de preparação do envelhecimento e trabalham a sensibilização.”

Não percam esta oportunidade de interagir com a “mãe” das Velhas Bonitonas, com as próprias velhas, escutar a história de cada uma delas e levar a sua história recriada e sentida por si! Tantas histórias para contar num fragmento de dia… Inspire-se, leve e dê voz às Velhas Bonitonas.

Assista a um pequeno vídeo da visita guiada com Maria Seruya, que decorreu no ambiente próprio de uma Marcenaria, onde trabalham artistas animados pelo colega inseparável do dia-a-dia –  o barulho artístico!

 

Veja aqui uma Galeria de imagens das obras de Maria Seruya, expostas na Antiga Marcenaria do Museu da Carris, Lisboa.

 

 

 

Jorge Rebelo, artista plástico

“… imaginei que teria que haver Sol, cor, movimento, mar, desporto e vinho. Realizei a obra Surfinho totalmente imaginada e criada (como todos os meus surrealismos).”

Jorge Rebelo … mais um Artista plástico no Blogue

Sim, porque arte também é vida! Faz todo o sentido falar de artistas e da arte que está dentro das pessoas em proporções diferentes.

De regresso do projeto de candidatura a Selo e Postal da República Portuguesa sobre o tema “Oeste: terra de vinhedos e de mar” com o qual nos regozijamos pela promoção da arte e dos nossos artistas. As obras premiadas em primeiro e segundo lugar postal e selo, no âmbito do ciclo de exposições que a Art’Oeste realizou em 2017, são dos artistas Nuno Confraria e Jorge Rebelo. Hoje é sobre Jorge Rebelo como pessoa e como artista que aqui partilhamos uma entrevista escrita.

Nós: Jorge como gostaria de se apresentar a quem não o conhece? Não se importa de contar um pouco do seu trajeto pessoal e profissional na área que abraçou?

Jorge Rebelo: É obvio que gosto de me apresentar como Artista Plástico. Iniciei a aprendizagem da arte aos 14 anos, troquei o Liceu pela escola de Arte António Arroio, trabalhando em simultâneo no atelier do Artista Augusto Bertholo em Lisboa durante 11 anos, em 1977 concorri para a Secção de Pintura de Arte e Publicidade da C.C.F.Lisboa onde prestei os meus serviços artísticos durante 30 anos, os últimos 20 anos a Chefiar a Secção como Mestre, atualmente na reforma dedico-me exclusivamente à pintura de quadros” realismo e surrealismo “

Nós: Quando e como surgiu o gosto pela arte e em particular pela pintura?

Jorge Rebelo: O gosto pela arte surgiu passados 2 anos ( aos 16 ) quando comecei a notar que os meus Mestres me atribuíam trabalhos de responsabilidade, comecei a ter noção de que tinha algum valor artístico.

Nós: “A arte existe porque a vida não basta”, citação de um poeta brasileiro, Ferreira Gullar. Concorda?

Jorge Rebelo: Não, claro que à mais alem da arte, o meu percurso foi complementado com paraquedismo, musica, etc. etc.

Nós: A sua obra é muito rica em cor, para si a cor é um elemento fundamental na sua expressão como artista plástico que segue as correntes “realista e surrealista“? Quando e onde lhe surgem as melhores ideias?

Jorge Rebelo: Sim a cor é um elemento fundamental. No realismo não será necessário ter grandes ideias, o nome diz tudo (realismo) não tem criatividade o surrealismo sim é criar, é no meu surrealismo que me identifico, digo meu porque é um pouco diferente do que estamos habituados a ver, o meu não é melhor nem pior, é apenas diferente.

Nós: O que o fez apresentar a sua obra de arte “Surfinho” ao circuito itinerante da Bienal Art’Oeste 2017? Como foi que tudo começou? “o sol, o mar, o desporto e o vinho”

Jorge Rebelo: Tal como o titulo da exposição exigia, imaginei que teria que haver Sol, cor, movimento, mar, desporto e vinho. Realizei a obra Surfinho totalmente imaginada e criada (como todos os meus surrealismos)

Nós: “Surfinho” é neste momento candidato a selo da Republica, o que sentiu no momento em que esta oportunidade surgiu?

Jorge RebeloFiquei muito satisfeito com a escolha, um grande incentivo para a minha carreira artística.

Nós: De entre as suas obras realizadas, é a escolhida “Surfinho” que gostaria de ver como Selo da República Portuguesa?

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Jorge Rebelo: Sim totalmente de acordo com a escolha

Nós: Como encara a participação conjunta de dois artistas no projeto, considera ser uma oportunidade de divulgar arte como um bem coletivo precioso, unindo dois artistas e suas obras num postal e num selo sobre o tema “Oeste: terra de vinhedos e de mar”?

Jorge Rebelo: Claro, é um coletivo precioso.

Nós: Que parte lhe cabe na promoção e divulgação da candidatura, ou quais os eventos que eventualmente estás convidado a participar, tendo em conta que os resultados da candidatura só serão divulgados em 2019?

Jorge Rebelo: Mesmo sem saber o resultado da candidatura, estou ciente que tenho uma responsabilidade acrescida, tenho vários eventos a realizar o que nada altera a minha postura artística.

Nós: “Arte em movimento”, citação sua quando se refere às pinturas de publicidade artística nos carros elétricos e autocarros, que realizou. Sente que, de certa forma, a arte se liberta em movimento para ser facilmente encontrada?

Jorge Rebelo: Sim, de certa forma, a arte que era pintada nos veículos que circulavam pela cidade de Lisboa era muito apreciada pelos turistas, pelo que fiz a citação “Arte em movimento”, hoje não sei se teria o mesmo resultado, o conceito de Arte está muito dividido e confuso.

Jorge Rebelo
http://www.jorgerebelo.pt

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