A Poluição e a fragilidade da vida humana

Ter práticas diárias sustentáveis e amigáveis em termos ecológicos é fundamental!

Este ano de 2018 vive-se em Portugal um verão estranho, com um mês de julho de temperaturas baixas e dias acinzentados, um início do mês de agosto de temperaturas bastante acima dos 40º, não normais para o nosso território, onde deflagram violentos incêndios que, Aqui e Ali, têm consumido não só vidas como os bens das populações. Realidade nua e crua que um documentário a que assisti me recordou e deixou a pensar na fragilidade da vida humana, na necessidade de preservamos a casa comum que habitamos – A Terra –  como garantia da nossa própria sobrevivência.

Cientes de que não podemos mudar interesses e poderes maiores, podemos através da nossa prática diária, procurar mudar as nossas atitudes para mudar o que nos rodeia. Estudos que vão sendo publicados e noticiados nos meios de comunicação social, falam-nos do grave problema da quantidade de plástico que existe nos oceanos e suas consequências.

Todos sabemos que os recursos que o planeta que habitamos nos oferece, são cada vez mais escassos, estão a esgotar-se e nós seres humanos estamos a forçar o limite do planeta, apesar dos avisos. O uso indiscriminado dos recursos  naturais, o desperdício e a poluição associada,  não deixa espaço à regeneração natural de novos recursos essenciais à nossa sobrevivência, provocando alterações significativas aos ciclos naturais do planeta.

Todas as espécies possuem capacidades de adaptação a novas condições ambientais e a espécie humana não quebra essa regra. No entanto, a vida humana parece ser a mais frágil. Não há muito tempo, assisti a um documentário sobre a catástrofe, resultante do maior acidente nuclear ocorrido, de Chernobyl na Ucrânia. Verifica-se que passados todos estes anos, a vida humana ainda tem dificuldade de sobrevivência e são muito poucas as pessoas que vivem dentro do perímetro da vasta zona afetada. O contrário está a acontecer com a vida selvagem, que se adaptou, modificou algumas das suas características e prospera. O estudo referido no documentário, apresentou imagens captadas por câmaras fotográficas instaladas para avaliar a vida selvagem local, diz-nos que a radiação que contamina toda a região, parece ter pouco impacto na distribuição das populações das espécies selvagens, no entanto apresentam uma longevidade mais curta pelos efeitos da radiação. Do mesmo modo, está a formar-se uma nova floresta de pinheiros e bétulas. É a natureza a adaptar-se! E nós humanos seremos capazes de nos adaptar e sobreviver saudáveis num planeta doente?

Para nós, ter práticas sustentáveis e amigáveis em termos ecológicos é fundamental! Precisa mesmo de utilizar tantos sacos e tantos produtos plásticos?

Para contrariar este “normal” estado das coisas, lançamos um desafio:

Lutar contra o uso excessivo do plástico.

É preciso agir! Adote hábitos tais como:

  • Sempre que comprar apenas uma peça individual de fruta, hortaliça ou outra, não coloque dentro de saco plástico. Em qualquer situação procure utilizar sacos de pano, ou feitos de materiais reciclados;
  • Nos cafés, recuse as palhinhas e as palhetas plásticas, peça uma colher para dissolver o açúcar;
  • No trabalho, use uma chávena de louça, em vez do copo descartável;
  • Não utilize louça plástica descartável;
  • Utilize uma garrafa de vidro ou metal para transportar a água;
  • Não utilize caixas plásticas para guardar comida, use caixas e frascos de vidro;
  • Procure utilizar produtos alternativos às tradicionais escovas de dentes e cotonetes discos de limpeza facial, etc.
  • Sempre que possível escolha produtos reutilizáveis.
  • Reduza ou anule o consumo de cosméticos com esfoliantes sintéticos e repense o seu consumo trocando-os por produtos caseiros.

Sempre que utilizar ou adquirir algo, faça-o de forma consciente e sinta-se feliz por saber que a sua atitude é amiga do ambiente e promove o bem-estar geral.

Se quiser, quando um hábito sustentável fizer parte da sua rotina, partilhe-o connosco para que o possamos também adotar e divulgar.

mar3

Conheça um projeto sobre a poluição no mar e o seu impato, no site do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, da Universidade do Porto.

 “Pago em Lixo” uma ideia sedutora – Junta de Freguesia de Campolide

Uma ideia apelativa, que cativa as pessoas e fica no seu espírito, sendo suficientemente atraente para as levar a mudar o seu comportamento relativamente à separação de resíduos.

Pago em Lixo” – um projeto que consideramos sedutor como exemplo de contributo para uma sociedade mais equilibrada e sustentável abrangendo as vertentes: social, cívica e económica. Partilhamos a informação que gentilmente a Junta Freguesia de Campolide nos remeteu sobre o projeto que lidera.

Conforme nos transmitiu Joana Lopes da área de Apoio aos Pelouros do Tesoureiro da Junta de Freguesia de Campolide, o projeto surge pela grande preocupação com o meio ambiente, com o incentivo do progresso da Freguesia neste campo, o aumento dos índices cívicos no que diz respeito aos comportamentos dos cidadãos relacionados com a higiene urbana e no combate à crise do comércio local na minha Comunidade.

“uma ideia sexy e apelativa, que cativasse as pessoas e ficasse no seu espírito, sendo suficientemente atraente para as levar a mudar o seu comportamento relativamente à separação de resíduos”

 

“A população Local

O projecto “Pago em Lixo!”. Está a ser implementado em Campolide, uma Freguesia do centro de Lisboa, com cerca de 20.000 habitantes e 3km2 de área. Sociologicamente somos uma Freguesia muito diversificada, com classe alta, média e baixa e com uma variação de média de idades, consoante a zona da Freguesia, igualmente alta. Ainda assim diria que o habitante tipo de Campolide, pertence à classe média e tem 65 anos de idade.

Ações de gestão da Freguesia

As Freguesias de Lisboa têm a responsabilidade de gerir a Higiene Urbana dos seus territórios. Somos nós que varremos as ruas, limpamos sarjetas e arranjamos jardins, por exemplo. Neste campo a única coisa que não fazemos é recolher o lixo doméstico que é depositado nos caixotes do lixo, sendo essa uma responsabilidade da Câmara Municipal de Lisboa e das empresas que processam os resíduos na nossa Cidade.

Feito este enquadramento quero dizer-vos que temos uma grande preocupação com o meio ambiente e com o incentivo do progresso da nossa Freguesia neste campo. Por isso achámos que era nossa missão criar um projecto que sensibilizasse as pessoas para a importância da separação de resíduos domésticos, não deixando de dar um toque, simultaneamente, nas questões que se prendem com outros problemas que sentimos em Campolide, como a não recolha dos dejectos caninos, ou o facto de ainda se atirar muito lixo para o chão.

O projeto “Pago em Lixo” como resposta a problemas locais

Este projecto tem outra grande preocupação, para além do aumento dos índices cívicos no que diz respeito aos comportamentos dos cidadãos relacionados com a higiene urbana, é o do combate à crise do comércio local na minha Comunidade.

Em Campolide vivemos uma grande crise do comercio local, comércio de proximidade e lojas de rua, por força da enorme expansão que as grandes superfícies comerciais conheceram nas últimas duas décadas. As pessoas deixaram de comprar na sua Freguesia, para passarem a ir aos Centros Comerciais, que conseguem ter uma maior gama de oferta e, muitas vezes, a preços mais baixos.

Resumindo, duas grandes preocupações às quais queríamos dar resposta:

  • Aumentar os índices de separação de resíduos em Campolide
  • Combater a crise do comercio local incentivando a que se compre dentro de Campolide

Quisemos, então, criar um projecto que fosse uma resposta a estes problemas. Teria de ser uma ideia sexy e apelativa, que cativasse as pessoas e ficasse no seu espírito, sendo suficientemente atraente para as levar a mudar o seu comportamento relativamente à separação de resíduos. Estamos convencidos que o conseguimos.

A moeda local

O método de acção escolhido foi o de premiar financeiramente os cidadãos que separassem os seus resíduos e os entregassem nos locais certos, onde a Junta de Freguesia de Campolide está a recolhe-los. Para isso criou-se uma moeda local, o Lixo, com conversão directa unitária na moeda de circulação corrente em Portugal, o Euro, que é entregue como compensação por esse comportamento de elevado civismo. Achamos que nada seria mais eficaz e apelativo que a atribuição de um benefício financeiro directo.

A particularidade é que esta moeda, emitida pela Junta de Freguesia de Campolide, apenas pode ser gasta no comercio local aderente. Pretendendo, assim, dinamizar a economia local, gerando mais emprego e maior circulação de dinheiro dentro da comunidade, fixando e atraindo consumidores para o comércio de proximidade.

Para tal Campolide criou um Banco Central de Freguesia, que emite moeda e que tem, no seu seio, um fundo de valor exactamente igual ao da moeda emitida. Em tempos de crise como a que vivemos em Portugal, a após dialogo com os comerciantes, percebemos que este era um ponto fundamental para que se sentissem tranquilos e aderissem sem reservas.

Como funciona este projecto?

  1. Antes demais as pessoas têm de começar a separar o lixo em suas casas, distinguindo entre o lixo orgânico, que continuam a depositar nos caixotes, as embalagens, o papel, o vidro e as pilhas.
  2. Estes últimos têm de ser trazidos aos pontos de recolha da Junta de Freguesia de Campolide, que estão anunciados em pagoemlixo.pt e todas as nossas redes sociais.
  3. Uma vez trazido até nós o lixo é pesado e trocado por Lixos, a nossa moeda local, aplicando uma tabela que converte determinado peso de resíduos separados em determinado valor de Lixos, nunca podendo passar o valor de €20 por operação.
  4. Feito isto os Vizinhos trocam no comércio tradicional aderente, que desta forma capta novos clientes e tem a possibilidade de os fixar ao longo do tempo.

Desta forma promovemos a interacção entre a Junta de Freguesia de Campolide e parceiros locais, neste caso os estabelecimentos comerciais, que tiveram de aderir ao projecto, por um lado, e entre os moradores de Campolide e os estabelecimentos comerciais, onde aqueles passaram a ir gastar os Lixos que receberam.

Como resolver questões legais?

Um dos aspectos mais difíceis de trabalhar foi o da questão legal. Em Portugal, neste período, muito fruto da crise, vivemos uma época de grande rigor e dureza nos diplomas legais que regulam o sector público, bem como de zelo por parte das entidades que o fiscalizam. Isto é bom, eu saúdo, mas teve o problema de termos de pensar e fundamentar bem a parte legal do projecto.

A solução que adoptamos, e que nos parece segura à luz da legislação portuguesa, foi a de criar um regulamento próprio que define as regras do projecto, disponível a todos e que enquadra e resolve os problemas que surgem. Paralelamente criamos um Banco Central em Campolide, fictício, mas no qual temos em euros o exacto valor que emitimos em Lixos. Por fim criamos um contrato que regula toda a relação entre a Junta de Freguesia de Campolide e os comerciantes locais, para que a relação seja certa e previsível, sem surpresas, algo que foi fundamental para captarmos a participação destes importantes parceiros locais.

Os destinatários

No que diz respeito aos destinatários do projecto estamos em crer que este tem uma abrangência transversal a todas as idades, embora o foco tenha sido o do público mais jovem. Fizemos diversas acções de promoção local, tanto nas escolas, formulando testes aos quais as crianças respondiam e recebiam o prémio pela boa nota em em Lixos, como na Universidade Sénior. Também optámos por acções de rua, igualmente importantes, mas a principal divulgação foi feita pela Comunicação Social, que adorou o projecto e o divulgou imenso, fruto de várias reportagens e entrevistas.

A pegada ecológica e financeira

Nestas acções de promoção tentamos fazer a pedagogia de valorização do lixo. Em Campolide gastamos cerca de um milhão de euros por ano em Higiene Urbana, e somos apenas uma das 3.092 Freguesias em que se encontra dividido Portugal. Tendo em conta a crise que vivemos, será que não vale a pena que todos mudem o seu comportamento, para que este dinheiro que é gasto desta forma tão desnecessária, passe a ser gasto de outras formas bem mais úteis?

Também focamos a questão da pegada ecológica e financeira que está por trás de cada garrafa de vidro ou de cada folha de papel, explicando que desde a matéria prima, ao seu processamento, ao transporte, ao trabalho envolvido nisso, tudo tem reflexos para o Planeta e para as finanças do País, sendo importante, por isso, que os métodos de reciclagem e aproveitamento de resíduos sejam aperfeiçoados.

Dados importantes. Da prática do projecto percepcionamos alguns dados relevantes:

  • O primeiro foi que a taxa de conversão de Lixos em euros, é muito baixa, ao contrário do que pensávamos. Conversando com as pessoas percebemos que os comerciantes estavam a gastar os Lixos uns nos outros, comprando bem para comércio ou para si próprio, originando que pouca conversão esteja a ser feita.
  • O segundo foi que, com o tempo, este projecto, que tinha um cariz eminentemente ambiental, passou a ter uma forte componente social, uma vez que as famílias mais desfavorecidas acabavam por recorrer a este instrumento como uma forma de obterem um rendimento extra para poderem enfrentar as suas despesas do dia a dia.
  • O terceiro foi que as pessoas se focavam muito na entrega de vidro, por ser o mais fácil de recolher e, igualmente, o mais pesado. Na segunda fase do projecto, para combater esta tendência, criamos uma espécie de Bolsa de Valores, que reduziu a cotação de conversão dos resíduos mais entregues, subindo, em contrapartida, a cotação dos resíduos que recebíamos menos, em especial as pilhas e as embalagens.”

Para quem lê este artigo, independentemente do papel e responsabilidades de gestão que desempenha na sociedade, fica o nosso desafio para que se inspire nas suas ações/decisões diárias.

A imagem publicada na capa deste artigo faz parte do folheto explicativo que pode ler em: Pago em Lixo – Comerciantes 

JFCAMPOLIDE

Se eu fosse youtuber

A vida é como um jogo onde nos cabe fazer a melhor jogada e a minha foi criar o meu canal, realizar e produzir um vídeo, lançar-me e ser feliz.

À conversa com … Yout!

Olá Olá Olá Yout! If I were youtuber, supostamente seria um jovem rapaz entre os 23 e os 30 anos, uma estrela que arrasa no youtube, com seguidores sem fim (milhares ou mais), que até dói a quem não tem e dinheiro a cair a “rodos” … que inveja.

Agora nós, somos umas “velhas bonitonas”, amigas e bem-humoradas que resolveram há pouco mais de meia dúzia de meses criar um blogue o Hucilluc – Aqui e Ali, liga-nos ao que nos rodeia. Não será de todo a cara do Yout mas isso também não interessa nada, cada um toca guitarra com as unhas que tem, ao som da imaginação e da inspiração quando e como lhe vem.

Também não teremos a pedalada do Yout, nem ganhamos o que ele ganha … quer dizer, nós não ganhamos nada… ahahah… também não temos os milhares senão milhões de seguidores nem a sua visibilidade nas redes sociais. Mas curtimos as novidades e este mundo da WEB que nos alimenta e inspira a fazer coisas e a ser felizes. Somos umas “fazedoras de mudança”, queremos estar no mundo vivas, com muita vida e jovialidade, beber boa disposição e alegria Aqui e Ali, partilhar o que de bom há no mundo e os sonhos vividos nos nossos olhos, ajudar pessoas a concretizá-los e a dar voz ao nosso lema “Vamos crescer partilhando”.

E é aqui que entra o nosso youtuber utópico. Na impossibilidade de entrevistar um, e acreditem que fizemos várias tentativas, decidimos imaginar o que é ser um youtuber famoso e passar para uma entrevista ao nosso Yout, nome não real (achamos nós) e dar voz à nossa fantasia e entressonho.

Nós até podemos guardar segredo (coisa que não interessa) mas queremos aproveitar o tempo, enquanto é tempo, e lançar um desafio ao nosso Yout para responder com loucura e discernimento a umas perguntas razoavelmente ajuizadas. Coisa rara, ele vive na Net e nós apenas existimos, será que isso o incomoda ao ponto de não aceitar o nosso desafio? Hum… não nos parece, do que lemos e do que vimos é rapaz para se atrever – vamos lá criar então esta figura.

Leiam e inspirem-se nestas palavras escritas criadas pela imaginação que tudo dizem!

yout (1)

Nós: Quem é o rapaz Sem Nome que veste a pele do Yout?

Yout: Fui magro agora gordinho e anafado, era mal disposto agora bem-humorado, um pouco tímido até… ahahaha… tal e qual a canção “Ele e Ela” da Madalena Iglésias. Só que este bom rapaz vivia no sonho de encontrar… neste caso o youtube pois sua veia artística pedia mais, mais canal. Ele apareceu e logo me prendeu – era um canal feito para mim.

Nós: Como nasceu o Yout, qual a razão ou história por detrás do nome?

Yout: Adoro vídeos e o youtube aloja um pouco muito de tudo, desde filmes, a videoclipes musicais e caseiros até transmissões ao vivo se encontravam – é a loucura total. Devorava tudo quanto aparecia neste canal, p´la noite fora … só falava, via, e vivia com o canal no pensamento, sem ele não era ninguém. Tal era o entusiamo e tão preso estava em frente do monitor e embebido no youtube que comecei a comentar com o nome de Yout tudo quanto havia para aplaudir, parabenizar ou criticar. Não se fizeram esperar respostas aos meus comentários, é uma classe muito responsiva ahahah… e o Yout ficou ligado ao Sem Nome, simples assim!

Nós: Quando criaste o primeiro canal no Youtube? Como te surgiu a ideia?

Yout: Já foi há uns bons aninhos… até pareço um cota a falar… ahahah. Na verdade comecei muito cedo, como já referi era muito tímido, rebelde e nada sociável, popularidade era sinónimo de repelente e, claro que a minha acne também não ajudava nada. Por força das circunstâncias era muito caseiro, tinha de arranjar entretenimento, era um jogador nato (era o que de melhor sabia fazer), fiquei vidrado no canal e alcancei na vida o maior bem – tornei-me youtuber. Quando me aventurei a criar o meu primeiro canal foi aterrador, vi e revi vários vídeos de diversos interesses para tentar replicar um estilo, quais os recursos necessários para criar, como planear conteúdos, quase enlouqueci mas … A vida é como um jogo onde nos cabe fazer a melhor jogada e a minha foi criar o meu canal, realizar e produzir um vídeo, lançar-me e ser feliz pois, como diz Rui Veloso “A primavera da vida é bonita de viver; Tão depressa o sol brilha como a seguir está a chover”

E já que era a minha melhor jogada porque não um jogo. Mais parecia um daqueles jogos das máquinas de casino, perder e ganhar, só que sem dinheiro. Os meus primeiros vídeos eram jogos simples, sobre diversos temas, carros, camiões, lutas, corridas, disparates, partidas aos amigos, loucuras …, gostaram, comentaram, classificaram… e a ideia pegou.

Nós: Quantos vídeos realizados, tens noção? No ranking dos youtubers em que categoria te manténs?

Yout: Oh… O que lá vai, lá vai, agora estou focado no novo material que me está a dar um gozo danado … Muitos, muitos mesmo (mais de 5 mil) … isto é viciante, não há forma de parar. Quanto melhor somos mais somos solicitados. Quanto mais criamos mais queremos criar. Há que não desiludir os nossos seguidores, subscritores. Estou no Top 10 e de lá não saio há muitos anos, mantenho a terceira posição há dois anos mas a nível de faturação ninguém me bate. Vou contar-te um segredo se não contares a ninguém – os meus vídeos têm mais de 1 milhão de visualizações… entra uma boa mesada nos meus bolsos… ahahah.

Nós: Onde vais buscar imaginação para os teus vídeos? A loucura corre nas tuas veias que nem fórmula 1 e pulsa para lá do rali youtube? As ideias malucas, descabidas e invulgares (dizemos nós… ahahah) surgem-te do nada ou percebeste que o inexplicável apela à idiotice e à gargalhada dos outros como se de um íman se tratasse?

Yout: Nunca se sabe bem de onde é que vem …Quando era puto lia tudo o que era banda desenhada até aparecerem na minha vida as consolas, os videojogos e as plataformas como a playstation, a Xbox entre outras, eu grudava naquilo e não largava mais, penso que desta forma a minha imaginação foi durante anos muito trabalhada. O que é normalidade? O que é loucura? De santos e loucos todos temos um pouco – uns dizem que somente os loucos são capazes de realizar coisas que os normais consideram impossível e outros, que a “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril. Pela parte que me toca, estou no meio, produzo palhaçadas animadas pelo tempero da loucura. Faço o que gosto e percebi que as pessoas gostavam, tão simples assim – é só dar continuidade, ter prazer no que faço e dar prazer aos outros e as ideias surgem num clicar de dedos, às vezes, e outras nem tanto mas trabalha-se e alcança-se.

Quando “a loucura torna a vida suportável” vira íman sim, acreditem!

Nós: Como consegues distinguir o que te apetece fazer daquilo que tu fazes porque sabes que vai ter “canal”?

Yout: Sou um visionário… ahah… divirto-me a dar diversão (canal) a fazer o que me apetece, isto é que é obra. Os comentários deixados pelos subscritores são uma grande ajuda, eles interagem muito com os youtubers e isso é muito bom, chegam mesmo a deixar sugestões de vídeos que gostavam de ver e claro, muitos deles podem resultar num vídeo desafiante (acontece mesmo). De resto, tenho consciência da minha loucura e como ela é grande, já dizia Fernando Pessoa, então sou um Génio – E se eles (subscritores) não tivessem ao meu lado então não havia Yout! Se quero triunfar tenho de trabalhar, tenho de ir ao encontro do meu público, é aí que está a arte do sucesso. 

Nós: Tu ganhas tanto, tanto, tanto (diz, não digas) … que até parece fácil, és um dos maiores youtubers portugueses. Fazes o que gostas, mas dá muito trabalho, certo? Podes revelar um pouco do teu dia-a-dia de fazedor de vídeos?

Yout: Meninas “Velhas Bonitonas”, esta é a minha profissão, certo? Ganho muito sem dúvida – dá para me sustentar e ajudar a família, digo (depende do número de visualizações) … não, não digo, mas dá muito trabalho, não pensem … Hei, vocês aí, não pensem que é fácil. Chegar ao Top 10, até nem foi difícil (quer dizer, até foi mas como já lá estou, não foi), mas não sair de lá é tarefa árdua, e essa é onde eu estou agora – manter é difícil, acreditem. Mas faço o que gosto, sem dúvida.

Não tenho hora para levantar mas também não tenho para deitar. Tudo depende. Tem de se estar sempre preparado, mas um dia de trabalho (15 a 16 horas), envolve pesquisa, ideias, criatividade, agendar e encontrar soluções, preparar cenários, gravar, editar os vídeos, refazer, refazer, e finalmente quando prontos colocá-los no youtube. E depois esperar muitas visualizações, comentários … e partir para mais uma ideia, começar a esboçar e a recolher material para o próximo vídeo. É preciso alimentar o canal, para me manter no top 10, não se pode parar, o risco é grande. Mesmo quando vou de férias, tenho de deixar vídeos agendados, é tudo pensado ao pormenor, para estarmos sempre no top.

Nós: Consideras-te um humorista bem-humorado que cativas tudo e todos ou apenas és um tipo engraçado com muita graça que te queres divertir divertindo os outros?

Yout: Sou tudo isso, porque não? Sou louco não sou? Também tenho um pouco a veia do teatro. Por ser muito tímido inscrevi-me em tempos num curso de teatro, o que se tornou numa mais-valia – jogos e teatro juntos num só são uma bomba explosiva e um bom pronúncio de diversão, que é o que se quer, divertir e trazer felicidade a nós e aos outros.

Nós: Tens a capacidade de te rires de ti próprio e por isso o sucesso é teu amigo?

Yout: Lá diz o ditado “rir é o melhor remédio”, faz bem à saúde, combate o stress por conseguinte o bom humor é altamente recomendado, é um antídoto que dá saúde e faz crescer … o sucesso! É a minha terapia.

Nós: Segredaram-nos aos ouvidos que amavas BD e que até já publicaste um livro. Podes revelar um pouco essa tua paixão?

Yout: A esta já respondi lá atrás… mas sim é uma paixão. Como era tímido não saía de casa, isolava-me e envolvia-me na leitura deitado na cama no meu quarto e deixava-me ir com as histórias. Era uma pessoa diferente naquele meu espaço. Era seguro, forte, feliz, animado, com muitos amigos e muitas vivências diferentes… tinha liberdade para sonhar e me transformar. Vivia feliz e tornou-se uma paixão, até os meus vídeos refletem um pouco isso. E finalmente consegui transportar alguns conteúdos dos meus vídeos para papel e um ilustrador amigo fez o resto. Nasceu a minha primeira BD!

Nós: Esta escrita sem vídeo já vai muito longa, mas podes ou queres deixar aqui uma mensagem de – façam como eu … a loucura é nossa amiga, atrevam-se! Ahahah… não expliques tudo mas podes dar uma amostrinha, certo?

Yout: Já imaginaram ter uma televisão só para vocês onde são não só o realizador mas também o produtor e ainda por vezes a personagem principal, são vocês que comandam a ação, num simples espaço como por exemplo o vosso quarto, e que precisam apenas de uma câmara para gravar, editar e colocar no youtube? Façam como eu, comecei assim e hoje sou um dos melhores senão o melhor… ahahah! Divirtam-se a fazer loucuras, a pregar partidas (dos 8 aos 80 anos) e sejam famosos – sejam celebridades instantâneas para sempre! Carreguem no botão …

youtube-1837872__340

Cláudia Correia e a Escola Le Cordon Bleu, em Madrid

A cozinha permite multiplicar por milhões os momentos de felicidade que proporciono aos outros e essa felicidade – a minha e a dos outros – será maior, quanto maior for a minha experiência.

"A cozinha permite multiplicar por milhões os momentos de felicidade
 que proporciono aos outros e essa felicidade – a minha e a dos outros - 
será maior, quanto maior for a minha experiência."

Á conversa com …

Pode-se contar pelos dedos de uma mão, há quantos anos conheço a Cláudia Correia. Mulher dotada de sólida formação académica, profissional e humana, uma jurista metódica e versátil mas acima de tudo uma mulher empreendedora, obstinada, determinada e amiga do seu amigo. Bastante nova mas já com uma vida plena de experiências, procurou sempre encontrar o caminho para atingir o sucesso. Hoje é, sem sombra de dúvida uma mulher bem-sucedida, comprometida com o Fazer Acontecer.

Foi no mundo do trabalho que a conheci. Eu mais velha ela bem mais nova, tenho de confessar que no início coloquei algumas reticências às suas competências, ela pouco faladora e eu muita atenta ao desempenho das funções que lhe cabiam em sorte. Mas depressa reconheci as suas capacidades e a empatia não se fez esperar e tornámo-nos amigas.

A vida aproximou-nos, trabalhamos juntas até que por questões meramente profissionais e porque a vida é feita de escolhas cada uma seguiu o seu próprio caminho. O destino juntou-nos uma vez mais e as redes sociais fizeram o resto. Falei-lhe deste meu projeto, a criação deste blogue com umas amigas e ela falou-me do dela, da sua nova paixão – acabou de obter o diploma de Pastelaria no Le Cordon Bleu, uma instituição reconhecida mundialmente por fornecer o mais alto nível de instrução culinária.

Fiquei fascinada. É um exemplo que nos enriquece e que gostaríamos de partilhar com os nossos seguidores porque diz o lema do nosso blogue Hucilluc – Aqui e Ali liga-nos ao que nos rodeia, “Vamos crescer partilhando!”, numa modesta tentativa de iluminar a vida das pessoas à nossa volta, em harmonia com os nossos valores pessoais e coletivos.

É neste contexto que lançamos este repto à Cláudia, para que, numa simples e simbólica entrevista nos incite a vontade de libertar os nossos sonhos e a determinação necessária para correr a colocá-los em prática e, de certo modo, contribuir para a inspiração de outras pessoas levando-as à transformação da sua vida na concretização da felicidade individual e coletiva.

Aqui fica a conversa escrita. Leia, leve e inspire-se!

flores rosa

Nós: Conte-nos um pouco da sua história. Neste momento vive em Madrid, o que a levou até lá? E o que faz?

Cláudia: Bem… a minha história passa por vários países e por experiências tão diferentes! Tenho a felicidade de já ter vivido e trabalhado em quatro países diferentes, sempre trabalhando como advogada e agora estou em Madrid. Vim em janeiro deste ano, por motivos familiares.

Hoje, tenho essa sorte, consigo conciliar num único cargo a advocacia e a cozinha, trabalhando para a AmoChef (uma plataforma digital que permite, a pessoas que gostam de explorar novas culturas através da cozinha, curiosas por gastronomia e por novas experiências – foodies -, contractar, em diferentes cidades do mundo, uma experiência culinária, com um chef, no conforto das suas casas). Já agora, passem pelo site https://amochef.com/ e vejam as diferentes experiências!

Nós: Gostar de doces é normal e dá felicidade … quem não gosta?! Porque se candidatou ao Le Cordon Bleu? Era uma paixão antiga, descobriu-a recentemente ou apeteceu-lhe viver uma aventura?

Cláudia: A cozinha foi, para mim, uma revelação. Há cerca de um ano percebi que tinha que parar e reflectir sobre a minha felicidade. Perceber onde e quando me sentia plena, feliz e realizada e foi aí que a cozinha se revelou. Todos os momentos em que estava a cozinhar (e não obrigatoriamente doces), sentia-me “de bem com a vida”. Mas porquê? Pensei eu. Concluí que é na cozinha que me encontro “inteira”, que ali estou eu concentrada e feliz, a testar, a inventar e a criar. A cozinha permite multiplicar por milhões os momentos de felicidade que proporciono aos outros e essa felicidade – a minha e a dos outros – será maior, quanto maior for a minha experiência. Por isso, fiz vários pequenos cursos de pastelaria, decoração de bolos, modelagem, etc. e depois decidi candidatar-me ao Le Cordon Bleu (“LCB”), em Madrid, para ter uma experiência mais exigente e profissional. Estudar na LCB foi uma experiência incrível. Senti-me excecionalmente privilegiada por aprender, todos os dias, com alguns dos melhores chefs do mundo.

Nós: Pode-nos contar um pouco da história de uma das mais conceituadas escolas de culinária parisiense – o Le Cordon Bleu, e a sua evolução, nos dias de hoje, para uma rede de institutos com uma nova filosofia?

Cláudia: Claro. A Le Cordon Bleu é uma das mais antigas e prestigiadas escolas de culinária do mundo. Está presente em 20 países, com 35 escolas e, por lá, já passaram vários alunos que se tornaram chefs conceituados, incluindo portugueses!

Nós: Diploma na mão tem por isso facilidade acrescida em desenvolver um trabalho no mundo tão vasto da doçaria. Tem algum projeto de doçaria, ou outro, em mente e que queira ou possa partilhar e dar a conhecer ao mundo?

Cláudia: Não quero ficar-me pela pastelaria. Quero conseguir formar-me também em cozinha e os meus planos para o futuro passam por aí. Não sei quando vou conseguir concretizá-los mas sei que vou conseguir.

Nós: Neste ramo tão específico da doçaria, quais os seus interesses? Doçaria tradicional portuguesa, ou não, e/ou internacional?

Cláudia: A doçaria tradicional portuguesa é incrível, tanto em técnica como em sabor. Gosto de explorar todos os tipos de pastelaria e doçaria e, quando possível, conciliar receitas de vários países e criar uma nova!

Nós: O facto da sua área de formação ser Direito sente que essas duas áreas apesar de tão diferentes se complementam, e a tornam uma pessoa mais feliz?

Cláudia: Para mim, pessoalmente, complementam-se e sou feliz em ter as duas áreas. Gosto dos desafios intelectuais que o Direito me traz diariamente e gosto da criatividade e da adrenalina da cozinha. Na verdade, quase uma década como advogada ensinou-me uma ferramenta super importante na cozinha: gestão do stress.

Nós: Esta área, como em muitas outras, virou moda, proliferam livros, lojas, blogues, programas de tv … – o boom das receitas e de “chefes. Acha que existe espaço para desenvolver trabalho nesta área e ter sucesso?

Cláudia: Acho que este “boom” é excelente para quem quer desenvolver a sua carreira nesta área e permitirá, certamente, a muitas mais pessoas ter a sua oportunidade. Eu sou bastante optimista e acho sempre que se te esforçares e te tornares incrivelmente bom naquilo que fazes, conseguirás sempre ter sucesso.

Nós: Como e onde vai buscar as ideias de receitas, são experiências suas, dicas que tira daqui e dali, receitas que surgem do “nada”, do seu trabalho de “invenção”? Prova-as, não será uma experiência deveras calórica?

Cláudia: As minhas fontes de inspiração são imensas. Recorro sempre aos livros clássicos, inspiro-me vendo o trabalho de chefs no Youtube (há canais incríveis!), no instagram, em blogues, etc. Revejo receitas da família, receitas antigas, gosto muito de provar coisas novas, sabores diferentes, viajar e conhecer os países pela sua cozinha e fazer experiências aproveitando todas estas fontes! Provo sempre, em pequenas quantidades, para limitar o “estrago”.

Nós: Comer um doce é uma necessidade por vezes incontrolável mas também pode ser um ato social. O que fazer para reduzir as quantidades de açúcar numa receita e tornar um doce saudável?

Cláudia: Eu acho que um “doce saudável” não existe. Podemos recorrer a novas tendências, como a da cozinha crua ou recorrer a substitutos do açúcar refinado mas nunca será inteiramente saudável. Substituir o açúcar refinado por tâmaras ou mel, resulta em muitas receitas e permite reduzir bastante.

Nós: Pode deixar aqui uma receita, sua ou não, para adoçar e aguçar o apetite aos nossos seguidores e a nós?

Cláudia: O que me dizem de uma mousse de limão com base de bolacha? Esta foi a última receita que fiz. Pode, facilmente, ser feita sem glutén e sem lactose.

Ingredientes para a base:
200 gr de bolachas de aveia
80 gr de manteiga

Comecem por triturar as bolachas. Adicionar a manteiga às bolachas e misturar bem, até que tenhamos uma mistura arenosa mais compacta. A manteiga deve ser adicionada bastante amolecida, quase derretida!
Untem o fundo de uma forma amovível (uma forma de 18 ou 20 cm, para bolos) com manteiga e cubram o fundo com um círculo de papel vegetal, para garantir que conseguimos desenformar com facilidade.
Vertam o preparado da bolacha para a forma e com as mãos, ou com a ajuda de uma colher, espalhem de forma uniforme até que cubra, por completo, o fundo. É importante que se pressione um pouco, para garantir que tudo está bem ligado. Coloquem no frigorifico enquanto preparam a mousse.

Ingredientes para a mousse:
5 gemas de ovo
100 gr de açúcar
Sumo de 4 limões médios
Raspa dos 4 limões
1 colher de sopa de farinha maizena
3 folhas de gelatina incolor
¾ de uma taça de água (aprox. 80 gr de água)
5 claras de ovo
50 gr de açúcar

Hidratar as 3 folhas de gelatina nos ¾ de uma taça de água. Reservar.
Numa outra taça comecem por misturar, com as varas manuais, as 5 gemas com os 100 gr de açúcar. Bater com as varas até que mude ligeiramente de cor. Adicionar a raspa, o sumo de limão e a maizena. Atenção para que não se criem grumos de maizena. Verter este preparado para uma panela e levar ao lume. Cozinhar até que comece a engrossar, mexendo sempre com as varas.
Retirar do lume, adicionar as folhas de gelatina com a toda a água em que estiveram a hidratar, misturar bem e deixar arrefecer esta mistura por completo.
Bater as 5 claras de ovo em castelo, com os 50 gr de açúcar.
Dica: adicionem o açúcar quando as claras já estiverem quase batidas!
Adicionar as claras em castelo à mistura que preparámos anteriormente. Misturem com o salazar, incorporando as claras nesta mistura mas sem bater.
Vertam este preparado sobre a base de bolacha e deixem repousar no frigorífico cerca de 3 horas.
Retirem da forma e decorem com raspas de limão ou de lima.

 

Nós: Quer lançar aqui algum um repto aos nossos seguidores?

Cláudia: Aproveitem o dia de hoje para pensar no que vos faz, verdadeiramente, feliz e sigam-no sem medos.

 

Obrigada Cláudia. Viva uma vida extraordinária!