Á conversa com …

Á conversa com … Inês De Barros Baptista

Inês De Barros Baptista, mãe de quatro filhos, trabalhou em agências de publicidade, como copywrite, foi jornalista no Semanário, foi diretora da Revista Pais & Filhos, escritora com alguns livros publicados, especialista na composição e construção de mandalas, dedica-se atualmente às mandalas e é proprietária da casa onde cresci e me tornei mulher – uma casa cheia de amor.

Esta casa após a morte da minha mãe foi adquirida pela Inês, que lhe deu uma nova cara, vestiu-a com novas cores mas soube manter a paixão, o amor e o carinho que ali se vivia. Estou, por isso eternamente grata!

O meu processo de luto não foi fácil, os anos passaram e um dia fui surpreendida por uma entrevista na SIC, no programa de Fátima Lopes, a falar sobre o livro “Morrer é só não ser visto” – livro sobre a perda e o luto, cuja autora era precisamente a proprietária da “minha casa” e que viu o seu marido morrer atropelado. Fiquei “presa” à explicação de como superar a dor da perda e como ter “lutos positivos”. Assimilei a mensagem, acordei e aprendi a superar a ausência e a sentir a presença da minha mãe na minha vida todos os dias. Mais uma vez grata por esta partilha!

Por circunstâncias várias aconteceu encontrar a Inês na página do Facebook e tornámo-nos amigas. E por essa via descobri a página da “Mandal’Arte” e da “The Mandala House” – a casa do amor. E assim para além de sentir a presença da mãe visualizo todos os dias aquela que foi a casa que me viu crescer junto dela. Grata por se ter cruzado um dia na minha vida e me proporcionar esta vivência.

Nesta “Conversa com…” queríamos realçar a força, a determinação, a coragem, da mulher, mãe, escritora, bem como o trabalho desenvolvido em torno das mandalas e partilhar ideias e experiências que inevitavelmente irão inspirar quem pretende superar-se dizendo sim, à alegria, à tristeza, à vida em harmonia com o que as rodeia.

Aqui fica a palavra escrita! Inspire-se.

Nós: Inês já publicou vários livros, entre eles “O Dia e a Menina Fada”, vencedor do Prémio Revelação de  Literatura Infantil da Fundação Calouste Gulbenkian, “Há Vozes na Ilha”, “Pede um Desejo” livro infantil que faz parte do Plano Nacional de Leitura. Como e quando foi que a escrita começou para si?

IBB: Acho que começou logo quando aprendi a escrever. Lembro-me que sempre gostei imenso de fazer composições e de escrever diários. Escrever era uma espécie de companhia, um meio de expressão que me permitia deitar cá para fora tudo o que se ia passando dentro de mim. Todas as minhas opções, em termos académicos e profissionais, obedeceram, até certa altura, ao gosto pela escrita. Formei-me em letras, porque gostava de escrever e fui, durante alguns anos, jornalista, pela mesma razão.

Nós: Todos temos dentro de nós uma criança. O que procura a sua criança interior neste momento?

IBB: É verdade. E acredito que qualquer criança interior procure ser amada e sentir-se segura, validada, acarinhada. A minha não é muito diferente. Acredito que também procure isso tudo. O segredo é descobrir que só eu a posso alimentar e dar-lhe o que ela precisa.

Nós: O que consta do seu futuro currículo? Tem algum livro/rascunho na gaveta?

IBB: O Agostinho da Silva costumava dizer ‘não faças planos para a vida, para não estragares os planos que a vida tem para ti’. Mas é verdade que todos nós passamos algum tempo a imaginar o futuro… Neste momento, não tenho planos para voltar a escrever. Nem tenho nenhum rascunho na gaveta… Mas quem sabe se a vida não me vai trocar as voltas e se um dia não vou voltar a escrever?…

Nós: Inês o seu best seller “Morrer é só não ser visto”, cujo título é retirado de um verso de Fernando Pessoa, fala-nos sobre a morte. Pode-nos explicar a razão e a necessidade de falar sobre a morte depois da tragédia que viveu?

IBB: Eu acredito que o processo de identificação é importante para toda a gente. Ou seja, quando passamos por dificuldades ou por uma tragédia ou por momentos difíceis, gostamos de saber como foi que outras pessoas, que passaram por situações semelhantes, reagiram. Quando o pai dos meus filhos morreu, em 1999, procurei testemunhos de pessoas que tivessem passado pelo mesmo. Alguns, ajudaram-me muito. E decidi, nessa altura, que um dia iria escrever um livro sobre o luto. A ideia demorou cerca de dez anos a ser posta em prática. Fico sempre feliz quando alguém me diz o quanto foi importante lê-lo. As tragédias dos outros, acredito, ajudam-nos a relativizar as nossas.

Nós: Atualmente, tanto quanto sei, está dedicada à construção de mandalas. Está a viver segundo o seu propósito de vida, está à procura de um ou foi pura intuição esta escolha?

IBB: Acredito que estou completamente a cumprir o meu propósito. Ao contrário da escrita, e das palavras, que geram sempre muitos equívocos e que podem ter vários sentidos, a expressão plástica é mais universal. Sinto-me muito mais livre e autêntica, quando me expresso através desta arte. A expressão plástica, aliás, sempre esteve no meu caminho. A par da escrita, sempre gostei de desenhar, pintar e construir coisas com elementos naturais. Mas, quando no 9º ano tive de escolher uma área, acabei por escolher letras, porque era muito má aluna a matemática e achei que iria ter dificuldades com a geometria, por exemplo, se escolhesse belas artes. Não me arrependo, mas hoje em dia gosto muito daquilo que faço.

Nós: O que são mandalas, qual o seu significado? Quando e onde lhe surgem as melhores ideias ou a sua simbologia obedece a algum critério?

IBB: Mandala é uma palavra sânscrita que quer dizer ‘círculo’ ou ‘círculo mágico’. Em termos simbólicos, a mandala representa o universo e o homem, dentro desse universo, em busca do seu centro. Por natureza impermanentes, as mandalas pretendem celebrar o carácter efémero de todas as coisas e cultivar o desapego. Ou seja, o processo é sempre mais importante do que o resultado.

Nós: Criou a Mandal’Arte, o objetivo é dinamizar e divulgar as mandalas lindíssimas que constrói mas não só. Quer explicar melhor?

IBB: É fundamentalmente isso, sim. Dinamizar e divulgar o trabalho, que tem várias vertentes. A vertente decorativa – faço mandalas para decoração de festas e eventos. A vertente de partilha – dinamizo a construção de mandalas colectivas em espaços públicos. E a vertente terapêutica, já que acredito que a realização de uma mandala nos ajuda a harmonizar tensões e a equilibrar emoções. Há ainda uma vertente puramente pessoal, já que também utilizo as mandalas como forma de me equilibrar e de encontrar alguma paz interior.

Nós: O projeto “The Mandala House” surgiu em que altura da sua vida? Fazia parte da sua lista de desejos? Como foi que começou este projeto? E quais os resultados obtidos?

IBB: ideia surgiu há pouco mais de um ano. A casa já era minha há muito tempo e estava ligada a uma outra. Ou seja, no fundo tinha duas casas e reparei, a certa altura, que era espaço a mais para uma família de cinco pessoas. Pensei então voltar a separá-las, fazer algumas obras e começar a receber pessoas. O nome – The Mandala House – surge na linha de todo o meu trabalho nos últimos anos. Além de ser uma casa onde recebo pessoas, funciona também como uma espécie de galeria onde exponho os meus trabalhos – que estão disponíveis para venda, no caso de os hóspedes os quererem adquirir. Os resultados têm sido fantásticos. Estou muito contente com este projecto.

Nós: Sendo uma pessoa tão positiva e inspiradora pode indicar 3 coisas pelas quais está agradecida e 3 sem as quais não consegue viver?

IBB: Estou profundamente agradecida pela minha fé, pelos meus dons e pelas pessoas maravilhosas que tenho à minha volta. Não consigo viver sem ar nem sem água nem sem alimento.

Nós: Uma pergunta indiscreta – Que sonho guarda/ou para si secretamente?

IBB: Ser, cada vez mais, a melhor versão de mim mesma.

Nós: Inês, por último quer deixar alguma mensagem de esperança ou de alegria que sensibilize o “próximo” a estar pronto a libertar-se e a navegar de forma mais fluída pela vida?

IBB: Acredito que todos estamos aqui para fazer uma experiência humana. Mas que somos muito mais do que um corpo. Temos um espírito – eterno – que sobreviverá, mesmo depois de termos partido. Encontrar essa dimensão profunda do nosso ser e aprender a viver com essa consciência facilita esta experiência humana – tantas vezes difícil e com muito sofrimento.

Obrigada Inês De Barros Baptista pela partilha!

Geometria e cores na perspectiva de Nuno Confraria

Nuno Confraria é um engenheiro geógrafo em quem se revela a coexistência, com harmonia, da ciência e da arte num resultado surpreendente. Nele, o pensamento analítico, a capacidade de visualização e análise espacial, coexistem com uma alma de artista. Tive o privilégio de acompanhar algumas etapas da vida académica e profissional de Nuno Confraria. Durante esse período, já transparecia claramente o apelo pela pintura, hoje é um pintor em crescente projeção.

Apresentamos Aqui o resultado uma conversa informal com este pintor cujas obras nos surpreendem pela mistura aprazível das formas e cores e que irá, sem dúvida, inspirar outras pessoas nesta procura e concretização de sonhos que nos preenchem como pessoas.

Nós: Nuno, quando sentiste o apelo pela pintura e como o realizaste?

Nuno Confraria: O meu interesse pela pintura começou na adolescência, nessa altura ainda com lápis de côr. O desenho surgiu bem mais cedo, julgo que em simultâneo com a descoberta do lápis 

Nós: Houve algum momento específico em que te sentiste na obrigação de expressar os teus sentimentos através da pintura? Ou foi um sentimento que, lentamente, se foi manifestando de forma mais intensa?

Nuno Confraria: Se o desenho marcou presença desde sempre na minha vida, em adulto a pintura esteve ausente até há cerca de 16 anos atrás, por essa altura foi mesmo impossível  renunciar a esta forma de expressão. Os desenhos exigiam mais e o desenho já não me chegava, o ressurgir da pintura foi inevitável.

Nós: Alguma vez sentiste que a criatividade que existe em ti de alguma forma se projetava na tua vida de estudante de engenharia e depois no teu percurso profissional? Ou foi o inverso, ou seja, quando iniciaste a pintar, fazias refletir nela a tua maneira de pensar mais analítica e geométrica?

Nuno Confraria: Ambos. Quando a criatividade faz parte de nós está presente em tudo o que fazemos, mesmo nas mais comuns situações do dia a dia. Não acredito que um percurso profissional, seja ele qual for, seja bem sucedido sem uma boa dose de imaginação e criação, a engenharia então é um excelente exemplo disso mesmo.
Reconheço que a minha formação académica, assim como o meu percurso profissional na área da engenharia, têm um papel muito importante no meu trabalho artístico. Todo o processo de realização de uma obra minha começa por uma pesquisa, mais ou menos exaustiva, passando pelo estudo da concepção do conjunto, ou o modelo se preferirem, que compõe o tema. As ciências académicas são evidentes no meu traço, talvez seja uma das razões que demarca e identifica inequivocamente as minhas obras.

Nós: Olhamos a tua pintura e vemos a força e autenticidade no que expressas dessa forma. Ao colocares as tuas emoções numa pintura, queres transmitir alguma mensagem ou apenas partilhar com os outros a tua emoção?

Nuno Confraria: O meu trabalho traduz a realidade, mais ou menos emotiva da minha parte ou de outrém, o cubismo e a geometria permitem-me construir e compôr essa mesma  realidade segundo a minha perspectiva. Os motivos da minha obra poderão encontrar-se fora do contexto habitual, para além da forma e côr, alcançar uma harmonia em todo o conjunto é precisamente o desafio que mais me seduz na arte.

Nós: Quais os passos que pretendes dar na continuidade de uma vida de pintor? Tens prevista a realização de alguma exposição?

Nuno Confraria: Quando a pintura assume um relevante papel na vida de uma pessoa, a sua grandeza é tal que nos preenche por completo, a pintura ganha vida própria e exige cada vez mais do artista. A continuidade é natural, cada vez mais sinto vontade de pintar, mais e mais e melhor, há uma necessidade de me ultrapassar e transpor os limites alcançados até ao último trabalho concretizado.
As exposições são mais uma forma de expressão de um artista, não só pela exibição dos seus trabalhos, mas também pela forma como relaciona e dispõe as obras num espaço.
Nos últimos anos tem-se verificado uma crescente oferta nas exposições propostas assim como um reconhecido interesse por parte do público em geral, deste modo a participação em exposições torna-se obrigatória. Para o corrente ano tenho algumas exposições programadas, para além das que vão surgindo ao longo dos meses.

Nós: Queres deixar alguma mensagem específica que mostre e inspire outras pessoas a superar dificuldades e concretizar projetos que nos preenchem?

Nuno Confraria: Face às exigências naturais de um trabalho em engenharia, a pintura desempenhou um papel secundário na minha vida durante algum tempo, no entanto a gradual relevância da arte no meu sentido de viver ditou a inversão de papéis. Pela minha experiência pessoal sugiro que não se descarte qualquer faculdade que se tenha, aliás acho que se deverá investir, sempre que possível, nas diferentes habilidades e talento que se tenham. A intuição é um aspecto que deverá ser trabalhado, acredito que só desta forma se fará a diferença.

Muito obrigada Nuno.  Desejamos-te o maior sucesso, que a tua pintura faça, de facto, a diferença e assim possas contribuir para uma sociedade culturalmente mais rica.

Aqui Obras de Nuno Confraria

 

Impossível ficar indiferente! – Nita Domingos uma mulher especialíssima

“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.” Charles Chaplin

Acontece Aqui e Ali a coragem e a determinação que constituem exemplos de vidas inspiradoras. Há magia e paixão na vida de uma jovem, cuja perseverança e energia posta numa teimosia “boa”, mostram a fibra do caráter dessa jovem.

A alegria de viver e a força do querer estão bem patentes na índole desta jovem – uma força da natureza. Para quem tiver o privilégio de privar com esta jovem, sente a luz e amor que dela emana, é claramente um exemplo de vida, é uma Vida Inspiradora – impossível ficar indiferente!

Há cerca de 3 anos ao conversar com uma amiga sobre uma adolescente triste e deprimida que não convivia bem com a sua doença falou-me de uma escritora jovem de apenas 24 anos (à data), especialíssima, apaixonada pela vida, portadora de uma doença rara e sem cura – Neurofibromatose tipo II, e que pouco a pouco foi perdendo a audição e a visão de um olho devido a um tumor na cabeça e outro na garganta.

Aqui fala-se de Tânia Domingos -, com quem tive o prazer de trocar algumas mensagens, com o objetivo de comprar um dos seus livros e oferecer com a sua dedicatória àquela jovem triste, para que através do seu testemunho e história de vida que se revela generosa e bondosa, a pudesse ajudar a superar as dificuldades, as contrariedades e encarar a vida de forma positiva.

Nós as 4, Donna, Anna, Bella e Antonella e a escritora Nita Domingos temos em comum a Força do Querer na busca da felicidade individual e coletiva, por isso decidimos partilhar esta experiência e realçar Aqui e Ali uma Vida ímpar.

Nada melhor do que a própria para falar de si e dos seus projetos. Lançamos o desafio, de imediato aceite, para através de uma entrevista contar a sua experiência de vida, a sua luta, para de certo modo inspirar e transmitir uma mensagem de força, determinação e coragem. Fica aqui registada a nossa entrevista e o nosso profundo agradecimento pela sua disponibilidade e partilha.

D.A.B.A – Nita pode contar um pouco da sua história? O que é sofrer da doença de Neurofibromatose tipo II?

N.D. – É uma grande chatice. 😉 bem, então vamos lá, a NFII é uma doença rara. Não é completamente linear, ou seja, não é igual em todas as pessoas. Mas basicamente vão surgindo tumores benignos ao pé de alguns nervos importantes, na cabeça ou nas costas.

A doença a mim trouxe-me muitas operações, cerca de vinte, perdi a audição devido a tumores que “destruíram” os nervos auditivos, depois fiquei com duas paralisias faciais, o que faz com que os olhos não pestanejem, não fecham, fecho-os com fita-cola mas ando sempre com infeções, agora deram para andar a pálpebra a fechar, dou por mim a cortar papel de embrulho sem ver nada, depois fiquei com duas úlceras nos olhos, depois perdi a visão de um olho, depois perdi algum equilíbrio, depois fiquei com uma corda vocal afetada. Mas estou viva não é? Por isso a alegria é maior que o sofrimento.

D.A.B.A. – Lembra-se do momento em que se fez o clique na sua vida e resolveu enfrentar as adversidades e ser diferente na diferença?

N.D. – Isto de ser diferente é uma coisa que não acedo. Somos todos diferentes e amanhã podemos ser mais diferentes. Se tivermos algum azar, como é? As pessoas não percebem que todos podemos ter a doença a b ou c? E que um dia queremos ser respeitados com normalidade?  Por isso ser diferente é ou devia ser normal. Porquê tanto estigma no ser diferente? Porquê tanto tabu? É por medo? Se corremos todos o mesmo risco.

Desde os seis anos que me apercebi da doença e quem cresce com isto só tem uma alternativa ser forte, porque se se entrega à doença não vive nada de jeito. E eu sempre quis muito VIVER. Não era existir. Era viver. Viver a minha história. Contá-la. Fazer acontecer.

Quando perdi a audição, tinha 17 anos, foi duro, foi muito duro. Chorei a noite inteira e no dia a seguir disse mesmo vou ter de me erguer.

Eu tinha a minha vida pela frente, a qualidade de vida dos meus, eu não podia desistir. Agora, é óbvio que não é assim tão linear. Lá está, é um clique diário. E muitos muitos truques, para contornar os meus limites e as minhas dores nos olhos.

Em contrapartida a saúde é a única coisa chata na minha vida, eu tenho uma família de sonho, amigos incríveis, pessoas especiais, viajo bastante,  trabalho com gosto, tenho os meus projetos. Tenho casa, comer e amor.  Tenho os melhores pais do mundo. Sou muito feliz porque sou muito grata a todas estas bênçãos. A vida não me deve nada, com isto tudo de bom, ficaram as contas ajustadas. Só peço mesmo para me deixar continuar a ver do olho a percentagem de agora que dá para eu fazer a minha vidinha feliz!

D.A.B.A. – É empresária, escritora, neta, filha, irmã, humanitária – apoia projetos de solidariedade. Como consegue conciliar tudo isto na sua vida diária?

N.D. – Sou muito teimosa. E isso faz com que eu insista, faça e queira fazer, e queira melhorar, e queira superar-me. Porque se me rendo fujo do meu princípio de viver com intensidade. Agora não há milagres, sou como os outros, tento organizar-me o máximo, tento ser o mais eficiente no mínimo espaço de tempo. Tento não perder a sensibilidade diante da pressão das empresas. No último ano escrevi muito pouco, mas fiz muito pelos meus, dei-lhes mais o meu tempo. A escrita é muito bonita, mas para ser coerente com tudo o que escrevo e faço, num mundo caótico é complicado.

D.A.B.A. – O que acha desta citação – “Somos vítimas dos nossos problemas ou heróis das nossas histórias?”

N.D. – É a minha máxima de vida. Vou dizer aqui vários exemplos:

  • Vítima do problema: o olho não fechar, não conseguir dormir….
  • Heróis da nossa história: arranjei a solução, fecho-os com fita-cola.
  • Vítima do problema: não viajar porque vemos mal e não vimos os painéis do aeroporto.
  • Heróis da nossa vida: andar sempre com o telemóvel e fazer Zoom.
  • Vítima do problema: achar que a nossa saúde só os médicos percebem.
  • Heróis da nossa história: aprendermos com os sinais, procurarmos soluções, testarmos, vermos lá fora, sermos pro ativos.

Tudo isto são escolhas, temos de fazer as mais inteligentes.

D.A.B.A. – Júlia Pinheiro disse “…esta menina é um farol de alegria”, o que acha desta afirmação, que Nós as 4 subscrevemos? E que acontecimentos, se é que existem, a fazem apagar a luz desse farol de alegria?

N.D. – Quando não vejo soluções, quando os meus olhos não abrem, quando não consigo acompanhar a minha mente, quando vejo injustiças, pessoas a desperdiçar os dias, quando os meus estão tristes, quando sou impotente perante algo. Quando sinto que peso a alguém por alguma limitação.

D.A.B.A. – Tem uma forte componente solidária nas suas ações, de que forma participa e ajuda quem mais precisa?

N.D. – Tem vindo a mudar ao longo dos anos, já fui madrinha de várias instituições, continuo a ser da APLAS – Associação Princesa Leonor, Aceita e Sorri, continuo a ajudar a associação CASA – Centro de Apoio aos Sem Abrigo, mas acima de tudo e cada vez mais tento ver à minha volta onde posso intervir para melhorar algo. Cada vez mais de um modo singular, mais direto.

D.A.B.A. – Ao todo quantos livros já escreveu e porquê Nita? E onde ou como se podem adquirir, por forma a dar oportunidade aos outros de terem um gesto solidário?

livro nita 1N.D. – Já escrevi dois. Eu fui viver sozinha aos 18 anos e aí tinha mais disponibilidade. Depois crescemos e as responsabilidades também não é? Mas Lancei 4 agendas. E um caderno e participei em mais 3 ou 4. Já lá vão uns bons anos. A última agenda foi a de 2017. Em 2018 não haverá. Os livros já só vendo esporadicamente. Para serem solidários prometo que podem começar pela vossa rua, cidade. Ser solidário hoje em dia é estar atento, é ouvir, é sair da redoma e estender a mão ao outro. O mundo está carente.

D.A.B.A. – Há algum conselho que queira dar para que a “Felicidade vire Rotina” na vida de todos nós?

N.D. – Agradeçam. Deem graças e não se esqueçam que vamos morrer. Não escolhemos como vamos morrer no geral, mas todos podemos escolher como vivemos.

Precisamos descansar mais. Andamos todos tão cansados, quais ratos numa roleta russa que nem percebemos que a felicidade está nas coisas mais simples e um dia se as perdermos vamos perceber estupidamente que podíamos ter sido muito mais felizes mas andávamos atrás … atrás nem sei eu do quê. Das coisas erradas?! Talvez.

Experimentem todos os dias quando acordarem e em silêncio irem à janela e agradecer mais um dia e façam uma promessa convosco: que tudo farão para que o dia corra bem e estejam o mais conscientes e ativos mentalmente para não se deixarem levar pelas circunstâncias.

D.A.B.A. – Todos nós sentimos medo, uns podemos evitar, alguns temos de os encarar bem de frente e ainda outros que permanecem por toda a vida. Sendo uma pessoa de coragem qual o seu maior medo?

N.D. – A inutilidade. O depender de alguém. E claro perder a visão, que vai interligar o que acabei de dizer. E o óbvio, o medo do sofrimento dos que mais amo. Sou dos meus. Os meus. E pelos meus eu dou a vida.

D.A.B.A. – Quer terminar esta entrevista com alguma mensagem especial para todos aqueles que vivem e lutam todos os dias nas suas adversidades?

N.D. – Tenham calma. Durmam. Rodeiem-se de pessoas com bom coração. Vejam onde e em quê (e em quem) andam a gastar o vosso tempo. Se está em conformidade com os vossos valores e objetivos. Perdoem. Não deixem nada por dizer. Não economizem as ações onde reside o maior valor da vida. Isto passa a correr. Os tesouros mais bonitos nunca estão à superfície, não desistam de os procurar mas sejam felizes nessa procura, sintam orgulho em vocês mesmos por terem a capacidade de lutar, de vencer, de conseguir e feliz ser… apesar de tudo!

Obrigada Nita Domingos por este testemunho incrível. Na época de Natal que é de partilha deixamos este exemplo para que nos lembremos, a todo o momento, o que é o privilégio de estar vivo e de poder partilhar a vida em harmonia com o que nos rodeia.

“… E, quando tudo mais faltasse, um segredo: o de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrar a saída…”, Mahatma Gandhi.

Tenha um dia perfeito! Inspire-se e seja feliz!