Do mar à Serra de Monchique

O fascínio do mar e da serra leva-nos a um passeio entre Albufeira e a Serra de Monchique.

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Damos nota de que, no dia da publicação deste artigo, um incêndio lavra na Serra de Monchique, consome mata, os bens dos habitantes e ronda povoações colocando-as em perigo. Acontecimento que nos entristece profundamente e nos faz recordar outras tragédias associadas a incêndios ocorridos em outras datas e em outros locais.  É avassalador ver as imagens transmitidas nos telejornais e pensar que ainda há poucos dias estivemos apreciando a tranquilidade e beleza desta serra. As altas temperaturas que se fazem sentir no início deste mês de agosto, obrigam a cuidados redobrados com a natureza e em especial com as florestas.  

Por aqui e ali, num dia de verão partimos de Albufeira, uma cidade disposta em anfiteatro sobre o mar, passando por jardins, pelos campos, por Silves, bebendo água das caldas de Monchique e subindo ao pico da serra em Fóia.

É inegável o apelo do mar que nós portugueses sentimos. Seja pela brisa fresca, pela beleza da nossa costa, pelas areias finas e douradas que nos massajam os pés descalços percorrendo a praia, pela sensação fresca e revitalizante de um banho de mar, pela carícia do sol na pele após o banho, pelo som cadente das ondas que morrem na areia, pelo voo das gaivotas, no verão, o mar chama-nos, ainda com mais intensidade.

Albufeira passou de uma tranquila vila piscatória onde podíamos apreciar a azáfama das lides da pesca e, por vezes, assistir à chegada das pequenas embarcações dos pescadores à designada “praia dos pescadores”, a uma cidade turística conhecida internacionalmente. A praça onde se comprava o peixe fresco, era logo ali por cima da “praia dos pescadores”. Recordamos essa vila passeando pelo espaço onde, atualmente existem múltiplas esplanadas de restaurantes e de bares. Contíguo à praia dos pescadores é montado o palco para a atuação de artistas vários que animam as noites de verão. Numa noite fresca com a brisa a soprar, percorremos as bancas montadas nesse espaço, deliciámo-nos com bolos tradicionais de amêndoa e ovos, ao som de músicas populares como “A Perninha da Menina” e outras, que uma banda entoava.

O mar, a baía de águas tranquilas, construções de areia do artista José Monteiro, recantos da cidade de Albufeira.

Mas, não só a praia e o mar exercem um fascínio sobre nós, também os jardins, que se vestem de cores quentes com as flores e cores de verão, fazem o regalo da nossa vista.

Um dia bem cedo, partimos para um passeio até à serra de Monchique para a redescoberta de recantos, para deixar que o verde da vegetação e dos frutos que aguardam o sol para amadurecerem, nos despertem os sentidos e nos transmitam a sensação de um bem-estar muito tranquilo, tão necessário para retemperar as forças para uma vida citadina e agitada na maior parte do ano.

Pelo caminho parámos em Silves, de longe avista-se o castelo.

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Aqui acontece todos os anos, em agosto, a Feira Mediaval que traz animação ao centro histórico desta cidade algarvia bem como outras iniciativas como os fins de tarde no Castelo, que procuram trazer vida e animação.

Tal como acontece em muitas das nossas cidades mais pequenas, observámos belos prédios um pouco degradados ou deixados ao abandono. Situação que nos causa alguma apreensão pela necessidade de preservação do património edificado que faz parte da nossa história e cultura e também pelo despovoamento que acontece em algumas zonas do nosso país. Algo deve ser feito para promover a fixação das pessoas nas pequenas cidades e povoações do nosso país.  É, não só, a beleza natural deste território que se estende à beira mar mas, fundamentalmente, são as pessoas que o tornam genuíno e procurado pelos turistas.

Seguindo em direção a Monchique, vemos aparecer alguma vegetação característica, constituída por sobreiros e medronheiros. Ao longo da estrada surgem ninhos de aves, colocados no topo dos postes, com os seus habitantes que nos remetem para histórias antigas e de encantar povoadas de cegonhas e de bebés transportados por estas, para as casas que os aguardavam.

Repousamos no espaço das termas e bebemos a água fresca que jorra, sem parar, de uma bica no meio da mata, ao som das cigarras.

 

Já com vontade de almoçar, subimos mais um pouco, na direção de Fóia. Parámos no restaurante “Luar da Foia” onde, para além, de uma refeição saborosa, bem confecionada com produtos de qualidade, com uma variada ementa, pode apreciar a paisagem que se estende aos nossos olhos a partir da varanda que circunda o restaurante ….

Depois de um belo repasto, a tarde já ia avançada, seguimos ainda mais um pouco até ao ponto mais alto da serra Foia, onde se encontram instaladas uma série de antenas e outros dispositivos de transmissão. Aqui, pode sentar-se numa esplanada, apanhar o ar fresco que se faz sentir na brisa que corre o espaço e deixar fluir o tempo, entre uma conversa e a água que mata a sede…

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A Perninha da Menina

Passei de largo para ver se não te via
Se me esquecia do teu doce bamboleio
Mas por má sorte caminhaste para mim
Olhos gulosos e assim
Com o vento a colar teu seio

Olha a perninha, a perninha da menina
Olha a perninha, a perninha a dar a dar
Cabeça não tem juízo e a perna é que vai pagar
Cabeça não tem juízo e a perna é que vai pagar

Amor de verão que foi no tempo das colheitas
E o teu perfume tinha a naturalidade
De quem descansa dos trabalhos e maleitas
Nos derriços mais gostosos de uma breve mocidade

Olha a perninha, a perninha da menina
Olha a perninha, a perninha a dar a dar
Cabeça não tem juízo e a perna é que vai pagar
Cabeça não tem juízo e a perna é que vai pagar

Mas da seara cortada fez-se farinha
Dessa farinha com fermento fiz o pão
Ficou-me ao peito essa trigueira rainha
Que me roubou alegria ao meu canto e coração

Olha a perninha, a perninha da menina
Olha a perninha, a perninha a dar a dar
Cabeça não tem juízo e a perna é que vai pagar
Cabeça não tem juízo e a perna é que vai pagar

Pedro Barroso

Mata Nacional do Buçaco – Um património único no mundo

Mata do Buçaco – uma das matas nacionais mais ricas em património natural, arquitetónico e cultural. É um espaço privilegiado para o contacto com uma natureza onde pode observar espécies raras e exercitar os músculos percorrendo os 105 hectares ao longo dos vários trilhos existentes.

Num fim-de-semana de maio passeámos pelo Luso e visitámos a Mata do Buçaco – uma das matas nacionais mais ricas em património natural, arquitetónico e cultural. É um espaço privilegiado para o contacto com uma natureza rica em biodiversidade da fauna e flora onde pode observar espécies raras e protegidas, e exercitar os músculos percorrendo os 105 hectares ao longo dos vários trilhos existentes, apreciar o património edificado e repousar o espírito sentindo-se em perfeita harmonia com o que nos rodeia. Não perca uma oportunidade de ir e apreciar todo um património natural e edificado, com imenso valor histórico, botânico, faunístico e paisagístico.

Chegámos pela manhã, o valor da entrada com o veículo é de 5,00€, revertendo na totalidade para a manutenção da Mata. Utilizando calçado e roupa apropriada pois o tempo estava húmido, muito devido à localização geográfica, à altitude com cerca de 549m e a densa vegetação. Munidos de um mapa, obtido no posto de turismo do Luso, fomos percorrendo o caminho admirando a exuberância da vegetação e fizemos uma primeira paragem num local encantado, a Fonte Fria. As duas principais linhas de água da Mata unem-se na Fonte Fria, ornamentada com uma escadaria monumental que acompanha a encosta.

Fonte Fria

Percorremos as veredas rodeadas de inúmeros jarros brancos e de fetos de porte arbóreo até aos lagos Grande e Pequeno.

De volta ao carro, subimos ao topo da Serra, estacionando junto ao Palácio/Hotel do Buçaco rodeado de jardins bem cuidados. Aqui, podemos apreciar a arquitetura majestosa do palácio datado do final do século XIX, em estilo neomanuelino, decorado com grandes painéis de azulejos, onde funciona o hotel, Palace Hotel.

No conjunto das construções aqui existentes, aprecie o exterior do Convento de Santa Cruz, não pode ser visitado pois encontra-se em obras de manutenção/recuperação. O convento foi pertencente à ordem dos Carmelitas Descalços, cuja construção data do século XVII. Apreciamos a utilização da técnica dos embrechados, resultando numa decoração espantosa exposta nas suas paredes.

Convento2

Percorremos os caminhos da Via Sacra, feita à escala da de Jerusalém, ornada pelo Pretório e pelas capelas destinadas a representar os Passos da Paixão de Jesus Cristo. As figuras no interior das capelas são feitas de barro cozido e datam do ano de 1938.

Descansámos e tomámos uma refeição ligeira no Bar/esplanada da Mata, próximo do Palácio, dos jardins e da loja e posto de informação.

Jardim

No Adernal – Mata Relíquia que ainda conserva espécies da floresta primitiva e de copado denso. Situado na zona mais elevada e pedregosa da mata, podemos observar a vegetação mais característica onde o aderno é dominante. Este, é um bosque único, com elevada relevância ecológica, quer pela raridade e singularidade a nível nacional, quer pela biodiversidade que alberga. Aqui predominam o aderno (Phillyrea latifolia), o medronheiro (Arbutus unedo), loureiro (Lauros nobílis) azevinho (Ilex aquifolium) o sobreiro (Quercus suber) e o pinheiro manso (Pinus pinea).

A caminho da Porta de Coimbra passamos pelo eucalipto gigante, o mais antigo eucalipto da mata. Saímos pela Porta da Rainha em direção ao Museu Militar e voltámos a entrar pela Porta da Cruz Alta.

A vista dos pontos mais altos da mata é magnífica!

 

Nos Passadiços do Rio Paiva

Logo pela manhã, pois o dia anunciava-se ensolarado e quente, com vestuário e calçado apropriado, protetor solar e um chapéu, iniciámos o percurso nos Passadiços do Rio Paiva.

Os dias grandes e ensolarados, mas ainda sem temperaturas demasiado elevadas, com a natureza a mostrar um renascer, é uma altura propícia para partir à descoberta do nosso país. Uma oportunidade de juntar o prazer de viajar e conhecer o país, com um estilo de vida saudável onde o exercício físico desempenha o seu papel. Fique em forma para o verão que se aproxima e desfrute da calma que o contacto com a natureza nos proporciona.

Ao longo do Rio Paiva no concelho de Arouca, distrito de Aveiro pode encontrar a paz e exercitar-se percorrendo os 8km de passadiços entre as praias fluviais do Areinho e de Espiunca.  

 

Fizemos a experiência, ficámos com os músculos das pernas doridos durante alguns dias, mas aconselhamos que vá e viva por si esta aventura. Aproveite um fim de semana e passeie pela zona do Arouca Geopark, reconhecido pela UNESCO como Património Geológico da Humanidade, aprecie as paisagens, a biologia, geologia e arqueologia deste território.

 

Uma dica importante, nesta altura do ano os passadiços do Paiva começam a ser muito procurados faça, previamente, na internet a aquisição dos bilhetes (um euro) de entrada nos passadiços. Se porventura se esqueceu de fazer a aquisição prévia dos bilhetes, mas se utilizou algum estabelecimento de comercio/alojamento local solicite, atempadamente, a reserva dos bilhetes através desse estabelecimento.

Existe uma boa oferta de alojamento que se harmoniza com a natureza, a história e a cultura. Nós pernoitamos num alojamento local na Quinta da Vila, situado no Lugar da Vila, em Alvarenga, resultante da adaptação de uma antiga casa de caseiros do início do Séc. XIX, do lagar e outras instalações da antiga quinta.

 

 

Logo pela manhã, com vestuário e calçado apropriado, protetor solar e um chapéu, bem cedinho pois o dia anunciava-se ensolarado e quente, munidos de uma mochila com umas peças de fruta e água, fomos de carro até a uma das entradas nos passadiços. A entrada que nos foi aconselhada por ser a menos exigente em termos físicos constitui o percurso no sentido Areinho – Espiunca. Ao longo do percurso existem postos SOS para qualquer eventualidade. Se ao terminar já não tiver forças para o percurso inverso, pode apanhar um táxi, habitualmente já fazem este transporte levando de volta os aventureiros deste percurso.

 

Faça o percurso calmamente, vá apreciando a natureza no seu estado natural, a vegetação, as flores campestres que teimam em se mostrar ao longo do caminho, as quedas de água, saia do passadiço e desça até à zona de recreio e balnear para se refrescar, repousar um pouco ou para se aventurar numa ponte suspensa na zona do Vau, que se encontra sensivelmente a meio do percurso.

 

Se fizer um fim de semana mais alargado antes de caminhar nos passadiços, visite a região e deslumbre-se num passeio pelos vários Geossítios do Arouca Geopark, visite alguns locais de interesse arqueológico e monumentos que contam a história da região. Não perca uma visita ao Mosteiro de Santa Maria de Arouca, com espaços belíssimos numa construção granítica que albergou a ordem Beneditino e, a partir do século XII, a ordem de Cister.  Como habitualmente acontece a gastronomia, a não perder, os costumes e religião dos habitantes locais denotam a forte influência exercida pela existência remota deste mosteiro. Para degustar no local e/ou para levar para casa não deixe de comprar o tradicional Pão de Ló de Arouca.

Para programar a sua visita consulte mais informação no site:

http://www.passadicosdopaiva.pt/

À descoberta de aldeias históricas, Almeida, Belmonte e Monsanto

Aldeias Históricas de Portugal, onde a pedra impera na paisagem, nas calcadas das ruas, nas habitações e nos monumentos. Almeida Belmonte e Monsanto.

Aldeias históricas de Portugal da Beira Interior – Onde a pedra impera na paisagem, nas calçadas das ruas, nas habitações e nos monumentos que falam da nossa história.

Conheça e goste do que é nosso!

Pequenas localidades perdidas entre o tempo, as serras e vales da Beira Interior e que integram uma lista de aldeias históricas de Portugal.   Vamos falar-lhe apenas de algumas dessas aldeias que visitámos vindo de Vila Nova de Foz Côa em direção a Lisboa. No entanto, não deixe de procurar fazer um roteiro mais completo, consultando o site do município ou do turismo, que lhe permita visitar todas as aldeias históricas desta região. Em outra ocasião, falaremos sobre a nossa experiência nesses locais, completando a rota das aldeias históricas nesta zona do país.

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Fizemos a primeira paragem em Almeida. É uma vila medieval cuja praça é considerada como uma das mais monumentais praças do país, rodeada por muralhas com uma configuração hexagonal em estrela de formato irregular. Nesta localidade situa-se a célebre Casa da Roda – instituição criada por Pina Manique em 1783, para acolhimento das crianças enjeitadas, segundo o conceito da Roda dos Expostos ou Enjeitados, criado em França em 1188 pelo Papa Inocêncio III, no lugar da Roda.

 

 

Em direção a Belmonte, já com vontade de uma comida tradicional, parámos em Foios muito próximo da fronteira, no restaurante “El Dorado”. A comida confecionada com os produtos da terra é muito boa, destacando os grelhados no carvão nomeadamente o cabrito típico da região. O preço é adequado à qualidade da comida, ao ambiente acolhedor e ao bom atendimento dos empregados. Nesta aldeia histórica, terra natal de Pedro Álvares Cabral, visite o museu dos descobrimentos, o castelo no topo da colina e o vasto património edificado. Não deixe de ficar a conhecer um pouco mais da sua história muito ligada à comunidade judaica em Portugal, visitando o museu Judaico, uma bela homenagem a todos os judeus que sofreram perseguições.

 

 

Continuando a viagem passando por Penamacor, entre a Serra da Gardunha e o rio Ponsul, surge a aldeia histórica de Monsanto, considerada a “aldeia mais portuguesa de Portugal”, faz parte do grupo das aldeias históricas desde 1995. Vamos subimos a encosta íngreme apreciando o local, com as casas construídas em pedra, algumas junto a grandes blocos de massas graníticas que servem ou suportam as paredes. Aqui a obra humana e obra natural coexistem em perfeita harmonia!

 

 

Um local muito tranquilo que nos faz recuar no tempo quando observamos os vários vestígios de presença humana desde épocas muito remotas. Percorra as ruas da aldeia, converse com os seus habitantes, continue a subir pelos caminhos de pedra até à na zona mais alta onde se encontram as ruínas do Castelo. Vale a pena fazer esta subida porque a vista é magnífica. Todos os anos em maio, faz-se a Festa de Santa Cruz em honra da vitoriosa resistência aos invasores.

 

 

As mulheres fazem as tradicionais bonecas de trapos chamadas matrafonas, não têm boca nem olhos e são feitas de tecidos recreando os trajes da região, sobre uma estrutura de paus montados em cruz. Estas bonecas são utilizadas para celebrar a fertilidade e a felicidade conjugal pois anunciam a época das primeiras colheitas do ano. Estas tradições baseiam-se numa lenda que pode ler em: Lenda da Santa Cruz.

Delicie-se com uma refeição confecionada com os produtos da região, num dos vários restaurantes existentes na região. Fomos petiscar no restaurante Taberna Lusitana, cuja localização permite ter uma vista espetacular. Neste restaurante para além de uma refeição completa pode petiscar os produtos típicos regionais, azeitonas, e uma boa variedade de queijos e enchidos acompanhados de um bom pão e cerveja ou vinho, prove também os biscoitos, as compostas e o mel. O atendimento é simpático e o serviço eficiente.

Conheça a lenda associada às festas da Santa Cruz em Monsanto 

Veja mais informação sobre as aldeias históricas em: http://www.aldeiashistoricasdeportugal.com/monsanto, de onde retiramos algumas fotos aqui publicadas.

Veja mais informação sobre os restaurantes referidos em: Taberna Lusitana e El Dorado